- Obra de Gauguin, Te Fare Amu, está prevista para ter a camada de sobrepintura removida, revelando a imagem original da figura feminina nua.
- A peça é da polícromia em madeira e será doada ao Brooklyn Museum, após ter passado pelos acervos de Lacma e MoMA.
- A sobrepintura verde aplicada sobre a genitália vermelha foi feita na década de cinqüenta para evitar que fosse apreendida pela alfândega dos Estados Unidos.
- O processo de remoção da sobrepintura será reavaliado pela equipe de conservação do Brooklyn Museum, com base em técnicas atuais.
- O item integra a doação de sessenta e três obras prometida por Henry Pearlman, com a exibição prevista para ocorrer no Brooklyn a partir de 2 de outubro, após passagem por outras instituições.
A escultura erótica de Paul Gauguin, pintada parcialmente para atravessar fronteiras, pode receber nova conservação. A peça em madeira policromada, inscrita Tahitian Te Fare Amu, deve chegar ao Brooklyn Museum, em Nova York, como doação prometida.
A obra, em relevo na lateral esquerda do painel, mostra uma mulher nua. Gauguin pintou o corpo de verde e os genitais de vermelho. O acervo foi adquirido por Henry Pearlman em Paris, em 1954, que cobriu a região genital com verde para facilitar a passagem pela alfândega dos EUA.
Pearlman relatou que acreditava na natureza sensual da peça e temia ter a obra apreendida por conter indecência. A peça ficou com a fundação da família Pearlman após a morte dele, em 1974, e integra uma doação a museus americanos.
Doação e próxima devolução ao Brooklyn
Em 2023, Pearlman destinou 63 obras a Lacma, MoMA e Brooklyn. O Brooklyn receberá 29 itens, entre eles Te Fare Amu, com a promessa de abertura de uma mostra itinerante em outubro. A exibição já está em curso em Lacma desde fevereiro.
A retirada do sobrepintado para revelar o vermelhão original será reavaliada com novas técnicas de conservação. O museu informou que a equipe de conservação irá analisar a possibilidade de remoção após a etapa expositiva.
Sobre Te Fare Amu
Gauguin inscrito como PGO, sigla que ele apreciava por soar como pego, em francês. A obra, criada possivelmente entre 1895 e 1897, ou até 1901, ficou associada a temas de desejo e de poder cognitivo do corpo feminino. A peça mede cerca de 1,5 metro de largura.
A escultura em madeira de sequoia possui um relevo raso, o que reforça o debate se deveria ser tratado como pintura ou como escultura. Conservadores destacam que parte da pintura original, em vermilho, pode ter ficado ocultada sob a camada acrescentada.
Contexto e curiosidades
Além do texto TE FARE AMU, Pearlman associou ao objeto a símbolos de desejo e de passagem de cultura. O título, traduzido como casa de comer, contrasta com interpretações que apontam para uma visão de carne e prazer. A obra permanece objeto de estudo sobre o período de Gauguin no Tahiti.
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