- A Canal+, maior grupo de produção de cinema na França, disse que não trabalhará mais com centenas de profissionais do cinema que assinaram uma petição contra a influência do bilionário de direita Vincent Bolloré.
- A carta aberta foi publicada para coincidir com a abertura do festival de Cannes e alerta sobre risco de o cinema francês ficar nas mãos de Bolloré.
- Mais de 600 nomes assinaram, incluindo a atriz e diretora Juliette Binoche e o diretor Raymond Depardon.
- O documento aponta que Bolloré controla a Canal+, além de ter participação na UGC por meio de investimentos, o que poderia concentrar toda a cadeia de produção de filmes.
- O diretor executivo da Canal+, Maxime Saada chamou a petição de injustiça aos equipes da empresa e afirmou que não trabalhará mais com quem assinou o texto.
O grupo Canal+ anunciou que não vai mais trabalhar com centenas de cinema figures que assinaram uma petição criticando a influência do empresário Vincent Bolloré no setor. A decisão foi comunicada pelo dirigente da empresa durante o Festival de Cannes.
A carta aberta, publicada no início da semana, reuniu mais de 600 signatários, entre atores, diretores e produtores, preocupados com o controle de Bolloré sobre o cinema francês, por meio de canalhas como Canal+ e a StudioCanal.
Segundo os signatários, Bolloré poderia concentrar toda a cadeia de produção, financiamento, distribuição e exibição de filmes, caso avance na aquisição total da cinema UGC, controlada pela rede de exibição francesas.
Maxime Saada, CEO da Canal+, afirmou em Cannes que a petição é injusta para as equipes do grupo, defensoras da independência editorial e da diversidade de escolhas.
Saada destacou que não pretende manter relações profissionais com as pessoas que assinaram a petição, reforçando a posição de não parceria com os signatários.
A carta também denunciou o temor de que a influência ideológica de Bolloré se estenda a conteúdos cinematográficos, ligado aos veículos de comunicação do empresário, como CNews, além de editoras associadas.
O contexto é visto como parte de uma reação maior na indústria cultural francesa, após ataques de autores contra o controle de Bolloré sobre editoras e meios de comunicação.
Em Cannes, a participação de Canal+ em produções e parcerias volta a ser questionada, com reações mistas entre público e indústria, diante das tensões em torno do poder de Bolloré no setor.
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