- Dois fãs de The Kinks, Andrew Sandoval e Doug Hinman, lançaram um livro dia‑a‑dia que cobre 1940 a 1971, procurando ir além de uma biografia tradicional.
- O trabalho usa fontes primárias, como logs de estúdio e recortes de imprensa da época, para mapear sessões, shows e gravações com detalhamento exaustivo.
- Os autores reuniram material de revistas britânicas da década de 1960 e edições menos conhecidas, realizando uma busca extensa em arquivos impressos.
- Técnicas modernas de áudio permitiram extrair informações não óbvias, como a presença de piano em faixas onde não era perceptível, ajudando a confirmar detalhes de composições.
- Ray Davies não ficou satisfeito com a existência do livro, pois teme que ele atrapalhe o mercado do próprio projeto que pretende lançar, segundo Sandoval.
O livro The Kinks All Day and All of the Night: The Day-By-Day Story Pt 1: 1940-1971 chega para oferecer um acompanhamento minuto a minuto da trajetória da banda The Kinks, com foco nos detalhes de gravações, shows, sessões e aparições na TV. A obra é resultado de uma parceria entre Andrew Sandoval e Doug Hinman, dois historiadores de música com interesse obsessivo pela banda.
A dupla adotou um formato dia a dia, similar aos trabalhos anteriores de Sandoval sobre The Monkees e os Bee Gees, buscando dados primários em vez de depender apenas de entrevistas antigas. O objetivo é recriar com precisão cada etapa da discografia e da agenda pública dos Kinks entre 1940 e 1971, cobrindo desde a origem de Ray Davies e Dave Davies até o lançamento de Lola Versus Powerman and the Moneygoround, Part One.
A produção envolve a coleta extensiva de fontes como catálogos de estúdios, aparições na televisão, sessões de composição e publicações de periódicos britânicos da época. O posicionamento é de exaustão documental, com verificação cruzada de materiais impressos em inglês e traduções recentes de jornais estrangeiros.
Sobre o livro
Segundo Sandoval, o projeto nasceu quando Hinman recuperou os direitos de uma obra prévia e conectou-se aos trabalhos diários do pesquisador. A ideia era reconstituir o conteúdo com dados novos, sem limitar-se a corrigir versões anteriores, oferecendo aos leitores uma base de pesquisa mais completa.
Os autores destacam que muitos mestres multi-trilha das sessões de 1960 não se conservaram, e que apenas algumas fitas ficaram disponíveis. A tecnologia atual de demixing tem permitido extrair elementos que ajudam a confirmar a participação de Ray Davies em gravações, inclusive em faixas onde o piano só fica perceptível com o processamento adequado.
O livro também aponta que a busca por fontes primárias, como registros de estúdio, é mais confiável do que memórias tardias de músicos e textos de época. A narrativa enfatiza a importância de documentos originais para evitar distorções que surgem com o tempo.
A repercussão pública da obra envolve o próprio Ray Davies, que, segundo Sandoval, teme que a publicação possa impactar o mercado do eventual livro solo que Davies planeja sobre os Kinks. Mesmo assim, os autores afirmam que o objetivo é oferecer aos fãs uma referência sólida e abrangente para pesquisa.
Os autores ressaltam ainda que o trabalho representa um esforço colaborativo para entregar uma visão detalhada da trajetória da banda, preservando a neutralidade e a precisão histórica. Não há declarações ou opiniões pessoais neste texto, apenas a descrição do processo de pesquisa e das decisões editoriais.
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