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Novo museu têxtil na Cidade do México celebra arte indígena

Museu de Arte Têxtil dos Povos Indígenas e Afromexicanos abre em Cidade do México, apresentando têxteis como patrimônio vivo e ética na colaboração

A backstrap loom and foot loom at the Museo Textil de los Pueblos Indígenas y Afromexicanos
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  • O MUT (Museo de Arte Textil de los Pueblos Indígenas y Afromexicanos) abriu no centro histórico de Cidade do México, próximo ao Templo Mayor, em um palácio do século XIX com vestígios astecas.
  • A exposição reúne 210 têxteis em 16 galarias, incluindo four reconstituições de peças históricas; o foco é apresentar o têxtil como patrimônio vivo.
  • A curadoria ressalta que a maior parte das obras é produzida por mulheres e busca ampliar a representação de tradições de todo o país, com reconstruções de técnicas perdidas.
  • O projeto, de 80 milhões de pesos, é gerido pela Fundação Nacional para o Fomento das Artesanias (Fonart), pela primeira vez operando como museu.
  • A abertura ocorreu no âmbito cultural da Copa do Mundo de 2026 e enfrentou paralisações por protestos de docentes, que dificultaram o acesso, enquanto o museu planeja exposições temporárias e o espaço de colaboração Taller Original.

O Museo de Arte Textil de los Pueblos Indígenas y Afromexicanos (MUT) abriu em um palácio do século XIX, próximo ao Templo Mayor, no centro histórico da Cidade do México. O espaço exibe tecelagens como herança viva e investiga colaborações éticas com comunidades indígenas e afrodescendentes.

O museu, que ficou vago desde 2019, está instalado em um palácio neoclássico criado entre 1795 e 1805. Ruínas astecas foram encontradas no local, com vestígios expostos de forma parcial, conectando passado e presente.

Claudia Curiel, ministra da Cultura, afirma que o MUT reúne artesãos com o poder de transformar a tradição em prática contemporânea. O projeto apoia planos de justiça para povos indígenas e afrodescendentes.

O investimento foi de 80 milhões de pesos, aproximadamente 4,6 milhões de dólares, geridos pela Fonart, que passa a administrar pela primeira vez um museu. A abertura integra o programa cultural da Copa do Mundo de 2026, em parte, mas foi marcada por protestos sociais que afetaram o acesso ao local.

Dentro, o MUT exibe 210 têxteis distribuídos em 16 galerias, incluindo quatro reproduções de peças históricas. O curador Alejandro de Ávila destaca que as obras resgatam técnicas e designs arqueológicos, muitos criados por mulheres.

A curadoria enfatiza técnicas têxteis tradicionais, como o tear de cintura e o tear de piso, reconhecendo práticas em várias regiões do país. Uma réplica de um pall milenar de Hidalgo ilustra a retomada de técnicas perdidas.

Duas áreas destacam as origens dos tecidos, com foco em cores naturais e no uso de plantas para tingimento. O cochonilha, responsável pelo tom vermelho, é demonstrado, assim como fibras como o henequén, símbolo de Yucatán.

O MUT demonstra que cada estado mexicano possui tradições têxteis distintas, segundo Ávila. Apesar do foco em comunidades afro-mexicanas, as expressões afrodescendentes são pouco representadas, com exemplos de algodão e bijoux em madeira.

Uma seção liga conhecimento cosmológico aos têxteis por meio do vigesimal, apresentando o calendário de 260 dias. Textiles aparecem como forma de escrita, conforme a explicação do curador.

Em outra área, técnicas de pluma de pena são revisitadas ao reconstituir um tilma, presenteação histórica que hoje integra o acervo do Vaticano. A reprodução exigiu o trabalho de várias mãos, segundo Ávila.

As sinalizações do museu usam comales de barros pretos e vermelhos, criados por Macrina Mateo, da comunidade Zapoteca. A escolha reforça a ligação entre objetos do passado e a leitura contemporânea.

O Mut aborda apropriação cultural com peças de Mixe de Santa María Tlahuitoltepec, alvo de cópias por marcas de moda. O espaço abre espaço para o Taller Original, laboratório de criação onde artesãos trabalham com designers.

No laboratório, os designers participarão de uma futura linha da Fonart, promovendo ética na cooperação entre comunidades e criadores. Marina Núñez, subsecretária de desenvolvimento cultural, destaca o modelo de inovação com respeito às tradições.

O museu também promove o uso de têxteis contemporâneos inspirados em tradições, tema impulsionado pela gestão pública. Vestidos associados a Claudia Sheinbaum chegaram a ser vendidos na loja do museu, destacando a ligação entre moda e patrimônio.

O MUT permanece em desenvolvimento, com exposições temporárias previstas, incluindo uma mostra da artista Trine Ellitsgaard, de origem dinamarquesa e atuação em Oaxaca. A inauguração ocorre em meio a protestos, o que limitou o acesso ao público.

O espaço busca evidenciar a diversidade têxtil do país e estimular colaborações éticas entre artesãos, designers e instituições. A programação continua, com foco em educação, pesquisa e preservação das técnicas tradicionais.

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