- Em 8 de maio, pavilhões de cerca de dezoito países fecharam total ou parcialmente como protesto contra a participação de Israel na Bienal de Veneza, organizado pela Art Not Genocide Alliance (ANGA).
- Ao todo, cerca de 237 curadores, artistas e trabalhadores da arte participam da paralisação, que inclui países como Áustria, Líbano, Eslovênia e Egito.
- O artista Dries Verhoeven, representando a Holanda, ficou em frente ao pavilhão do seu país, em apoio à manifestação e às críticas à presença israelense no evento.
- A Polônia também aderiu ao movimento, com o pavilhão fechado das 16h às 19h; curadores destacaram a insatisfação com a inclusão de Israel e Rússia entre os participantes.
- A controvérsia sobre Israel e Rússia envolve questões políticas e sanções, com a organização defendendo que a greve busca pressionar mudanças nas regras de participação e melhores condições de trabalho no setor cultural.
A sexta-feira 8 de maio marcou uma rodada de paralisações na Bienal de Veneza, com pavilões de diversos países fechando parcial ou totalmente como protesto contra a participação de Israel no evento. A mobilização foi organizada pela Art Not Genocide Alliance (ANGA), que também convocou um desfile de protesto pela cidade. Segundo a ANGA, a ação rejeita a normalização da presença de Israel em espaços culturais e critica a lógica de precarização do trabalho ligada à Bienal.
Ao todo, cerca de 18 pavilhões aderiram às paralisações, conforme relatos. Países como Áustria, Líbano, Eslovênia e Egito participaram das medidas, envolvendo cerca de 237 curadores, artistas e trabalhadores da arte. O objetivo é chamar atenção para questões políticas e laborais que, na visão dos organizadores, cercam a Bienal.
Entre os participantes, o artista neerlandês Dries Verhoeven, representante dos Países Baixos, posicionou-se diante do pavilhão do seu país com bandeira palestina e material de protesto visível pela porta fechada. Verhoeven afirmou que a presença de Israel no Arsenale é criticada pela instituição e reforçou a busca por diálogo com o público.
O pavilão da Polônia também aderiu à paralisação, com fechamento parcial entre as 16h e 19h. Agnieszka Pindera, comissária, disse que a decisão de incluir Israel e a Rússia gerou emoções entre a equipe, que procurou uma forma de expressão para o protesto. A curadoria afirmou que a ação pretende influenciar mudanças nas regras de participação da Bienal.
A controvérsia envolvendo a participação de Israel e da Rússia tem sido alvo de intensas críticas nos preparativos da edição. A Rússia terá seu pavilhão nos Giardini fechado após as pré-estreias, em meio a avisos da União Europeia sobre sanções. Filmes e música devem continuar a ser apresentados no espaço de apresentação russo.
A ANGA esclareceu que o objetivo não é encerrar a Bienal, mas estimular a discussão sobre a responsabilidade ética da instituição e de seu circuito. A organização também destacou questões de condições de trabalho no setor cultural italiano, citando contratos precários que dificultam a possibilidade de greve de alguns profissionais.
Diversos prédios exibiram variações na atuação do movimento. No Arsenale, a instalação multissensorial Living: Gathering in Venice ficou no escuro durante a intervenção, enquanto o pavilhão do Japão segue aberto, mas com elementos participativos suspensos. Em outras alas, pavilhões permaneceram fechados com ausência de artistas e curadores no local.
Entre as ações associadas à greve, houve panfletos e mensagens de apoio à Palestina espalhados por alguns espaços. O ANGA reforçou que a greve não visa interromper a Bienal, mas estimular a reflexão sobre a ética, a participação e as condições de trabalho no setor cultural.
A cobertura oficial da Bienal, por meio de seu assessorado, afirmou que as atividades ocorrem em conformidade com as regras vigentes e que não há envolvimento da instituição nas ações de protesto. A nota também reiterou o compromisso com a expressão democrática e o funcionamento ordeiro do evento.
A semana de abertura da Bienal de Veneza, já marcada por protestos, deve continuar com a realização de um ato em Via Garibaldi, perto do Arsenale, reforçando o alcance político do movimento de greve durante o festival.
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