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Marina Abramović afirma que público não pode ser testemunha na Bienal de Veneza

Abramović inaugura exposição solo na Gallerie dell’Accademia, em Veneza, com obras interativas que convidam o público a participar ativamente

Marina Abramović’s take on Titian’s *Pietá*, featuring her then partner, Ulay
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  • Marina Abramović é a primeira artista feminina viva a ter uma exposição individual na Gallerie dell’Accademia, em Veneza, com obras instaladas tanto nas áreas de coleção permanente quanto nas de exposição temporária.
  • A mostra, intitulada Transforming Energy, evidencia uma linha de trabalho em que o público participa ativamente das obras, indo além de apenas observar.
  • Entre as peças, estão objetos transitórios e interativos, como camas de pedra com cristais e estruturas para uso do público, além de intervenções que exploram posições corporais recorrentes (deitar, sentar, ficar em pé).
  • Um dos destaques envolve a foto de 1983 da artista com Ulay, juxtaposta à Pietà de Titian (1575-76), numa montagem que a coloca junto a uma obra-prima histórica.
  • A artista enfatiza que o público não deve ser apenas espectador, e que a experiência pode exigir tempo, com visitas de pelo menos três horas; não são permitidos telefones no espaço, e fones de ouvido ajudam a bloquear ruídos.

Marina Abramović inaugura uma exposição solo na Gallerie dell’Accademia de Veneza, tornando-se a primeira artista viva a ocupar esse espaço, com obras instaladas tanto nas galerias da coleção permanente quanto nas áreas temporárias. A mostra, intitulada Transforming Energy, marca mais um capítulo da carreira da artista, conhecida como a “avó da performance”.

A curadoria reúne intervenções que convidam o público a participar ativamente. Entre as peças, há estruturas com pedras e cristais que proporcionam interação física, além de objetos transitórios que os visitantes podem usar durante a experiência. A exposição enfatiza posições corporais — deitada, sentada e em pé — como vias de transferência de energia.

Abramović tem menor distância entre arte e público, buscando engajamento direto. Em uma operação anterior, na China, foram criadas peças interativas que dependiam da participação do público para gerar energia a partir dos materiais expostos. Na mostra veneziana, não há uso de telefones dentro do espaço, e os visitantes recebem fones para evitar ruídos externos.

A artista planeja que o público permaneça em torno de três horas para experienciar as obras. O conjunto da exposição está distribuído entre as salas da Accademia e áreas temporárias, com a expectativa de atrair principalmente jovens, segundo a própria Abramović. Ela vê Transforming Energy como parte de um legado de décadas dedicada a transformar a relação entre obra, tempo e participante.

Transforming Energy

A mostra reúne peças inéditas e referências históricas, incluindo uma foto de 1983 que contrasta com a pintura de Titian, introduzida como diálogo entre passado e presente. A curadoria busca situar Abramović entre as tradições de performance e as possibilidades de participação do público. A iniciativa também ressalta o papel histórico da artista na cena de Veneza.

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