- O ator Tuca Andrada, de 61 anos, apresenta o monólogo inspirado em Torquato Neto, Let’s Play That ou Vamos Brincar Daquilo, em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, sem patrocínio e com financiamento próprio.
- A peça usa poesia e músicas de Torquato para contar a trajetória do poeta, buscando uma linguagem menos careta e mais direta, sem flashbacks previsíveis.
- Além do teatro, Tuca atua em Dona Beja, da HBO Max, e em Emergência Radioativa, da Netflix; algumas cenas de nudez são descritas como coreografadas e desafiadoras.
- O artista defende que ser ator é dolorido e requer enfrentamento de medos e vilanias, e aponta censuras, incluindo agressões no Instagram, após se posicionar publicamente.
- Em futura investida artística, ele menciona o desejo de interpretar Dom Quixote e mantém outros projetos em aberto, vendo o teatro como espaço de reflexão, apesar de dificuldades financeiras.
Tuca Andrada, de 61 anos, atua em São Paulo no monólogo Let’s Play That ou Vamos Brincar Daquilo, que reúne poesia, show e debate. O texto aborda Torquato Neto, figura polêmica da Tropicália, sem tradições de academia — e sim pela palavra direta do ator.
Em 2004, ao encontrar um livro sobre Torquato em uma livraria, Tuca decidiu levá-lo ao palco. Ele optou por não contar a vida do poeta em flashbacks, mas revelar sua história por meio da poesia, das músicas e dos escritos dele.
A peça não recebe patrocínio, e o ator financia tudo com recursos próprios. Segundo ele, faz o trabalho por desejo artístico, não visando retorno financeiro imediato.
Aos olhos do público, o monólogo o colocou sob o rótulo de polêmico. O ator afirma que não pretende ocupar cargos públicos e mantém o foco apenas na atuação e no que pensa.
Em 2023, Tuca defendeu Paolla Oliveira após ataques sobre o corpo da atriz. O episódio gerou debates sobre privacidade e liberdade de expressão, sem que o artista tenha revelado detalhes de sua vida pessoal.
Além do palco, o ator aparece na Netflix em Emergência Radioativa e na HBO Max em Dona Beja. Na novela, ele interpreta o Coronel Felizardo, figura machista e controlador, que contrasta com cenas de nudez.
As cenas de nudez em Dona Beja são descritas por ele como uma coreografia, com a equipe ao redor e iluminação intensa. O ator garante que não há espaço para sensualidade, apenas técnica de cena.
O personagem de Tuca na novela mostra choque entre comportamento público moralista e desejos privados. O elenco trabalha para retratar uma sociedade marcada por tensão entre valores tradicionais e liberdade individual.
Sobre o cinema e o teatro, ele afirma que ambos exigem estudo e esforço, destacando que o glamour da televisão não esconde a dor de quem cria. A arte continua sendo o eixo principal da sua carreira.
Questionado sobre a atual produção teatral, ele aponta censura econômica como entrave. Do que produz, ele financia, sem patrocínio, para manter a pluralidade de ideias no cenário.
Indagado sobre o futuro, Tuca diz ter muitos projetos na cabeça, incluindo a possibilidade de interpretar Dom Quixote no momento certo, com amadurecimento artístico, e não descarta novos espetáculos.
O ator encerra destacando a importância da tolerância e da liberdade de expressão, mesmo diante de divergências. Ele mantém o foco no trabalho, sem abrir mão da essencial disciplina criativa.
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