- Fraser Stewart, chefe da estratégia de energia local da GB Energy, quer mil projetos comunitários de energia renovável no Reino Unido até 2030, com foco em turbinas eólicas e painéis solares.
- Huntly, na Aberdeenshire, é exemplo: a comunidade tem uma turbina pública, com custo total de instalação de £1,5 milhão; a turbina gera até 500 kW de energia.
- Ao longo de dez anos, a receita do projeto somou £1,5 milhão após despesas e pagamentos; o dinheiro foi reinvestido na comunidade, beneficiando, por exemplo, cinema e espaço de coworking.
- GB Energy já enfrentou críticas, incluindo rótulo de promessa ideológica por parte de parlamentares conservadores, além de questionamentos sobre o pequeno quadro de funcionários (30 permanentes).
- Stewart diz que a empresa está se fortalecendo e deve chegar a cerca de 300 funcionários permanentes nos próximos anos, destacando que projetos comunitários podem acelerar a transição para energia limpa.
Fraser Stewart defende que toda cidade ou vila tenha sua própria fonte de energia renovável, como turbinas eólicas ou parques solares, e trabalha para transformar essa ideia em realidade. Ele lidera a estratégia de energia local na GB Energy, empresa pública criada pelo governo do Reino Unido para desenvolver projetos de energia limpa.
A GB Energy, com sede em Aberdeen, tem sido alvo de críticas sobre o papel que terá e se suas funções foram reduzidas desde o anúncio inicial. Stewart afirma que o objetivo pessoal dele é viabilizar 1.000 projetos comunitários de energia até 2030, gerando renda estável para as comunidades envolvidas.
Segundo o dirigente, a proposta é permitir que as comunidades participem da produção de energia, ao invés de depender apenas de grandes empresas. Ele admite que os projetos serão em pequena escala, mas ressalta a necessidade de apoio adequado para que tornem-se viáveis.
O modelo comunitário em Huntly
Em Aberdeenshire, Huntly, com cerca de 4.600 habitantes, já abriga uma turbina de propriedade comunitária, instalada ao lado de outras de uso comercial. O projeto, iniciado em 2010, recebeu o último impulso de financiamento após seis anos e custou cerca de £1,5 milhão, incluindo instalação, licenciamento e conexão à rede.
A turbina comunitária tem potência máxima de 500 kW, menor que as grandes usinas comerciais. O retorno financeiro é assegurado por uma tarifa de acesso à energia pré-2019, já substituída. Em dez anos, o projeto gerou aproximadamente £1,5 milhão para investimentos locais, cobrindo despesas operacionais e pagamento de empréstimos.
Como consequência, o centro de Huntly ganhou uma sala de cinema reformada, espaço de coworking e um hub bancário, financiados com a receita da turbina. Stewart aponta que esse tipo de iniciativa demonstra o potencial de impacto positivo das comunidades, mesmo que não substitua grandes projetos.
Perspectivas e críticas
Stewart, natural de Forfar, enfatiza a continuidade de programas já existentes, como o Cares, do governo escocês, que já apoiam energia comunitária há anos. Ele afirma que há mais capital disponível para esse segmento do que nunca na história recente.
Entretanto, GB Energy recebe críticas políticas. Uma deputada conservadora, Harriet Cross, chamou a empresa de promessa ideológica, ressaltando que, até o momento, a organização conta com apenas 30 funcionários permanentes. Em resposta, Stewart afirmou que a empresa está no primeiro ano de operação e que a ampliação de recrutamento ocorrerá em Aberdeen, com projeção de 300 empregos permanentes nos próximos anos, vinculados a investimentos em projetos renováveis.
Stewart reforçou que projetos comunitários não substituem a transição energética principal, mas podem complementar, com ações como turbina única em Huntly ou grandes usinas apoiando comunidades locais. Também citou iniciativas anteriores, como instalar painéis em telhados de escolas, que geram benefícios diretos para a comunidade.
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