- Executivos da Drax levantaram preocupações internas sobre a validade das alegações de sustentabilidade, conforme documentos judiciais, enquanto a empresa publicamente negava ter usado madeira de florestas antigas para a maior usina britânica.
- A BBC Panorama, em 2022, acusou a empresa de queimar madeira de florestas antigas no Canadá; a Drax afirmou que oitenta por cento do material usado era resíduos de serraria e o restante, material de descarte.
- Documentos jurídicos indicam falhas de governança de dados e de rastreabilidade das origens das madeiras, levando Ofgem a concluir que havia ausência de dados adequados entre abril de dois mil e vinte e um e março de dois mil e vinte e dois; a Drax concordou em pagar vinte e cinco milhões de libras.
- Ofgem não encontrou evidências de concessões incorretas ou de uso irregular de subsídios; a Financial Conduct Authority investiga declarações históricas da empresa sobre a origem dos pellets.
- A empresa afirmou ter conduzido investigações internas e independentes, fornecido dados ao regulador e que a resposta ao Panorama foi gerida com a devida responsabilidade pelos executivos, incluindo o então diretor-executivo.
Drax, maior geradora de energia do Reino Unido, enfrentou questionamentos internos sobre a veracidade de suas alegações de sustentabilidade. A pressão ocorreu após a BBC Panorama ligar pellets de biomassa à queima de árvores antigas no Canadá, alegação que a empresa negou publicamente.
Documentos judiciais revelam que executivos seniores da usina de North Yorkshire expressaram dúvidas sobre a evidência que embasava as talheres de sustentabilidade, mesmo diante das respostas oficiais ao governo e a reguladores sobre o cumprimento das regras de subsídio.
Segundo os relatos, o grupo garantiu aos ministros e aos servidores públicos que seguia padrões verdes, enquanto parte da alta gestão interna reconhecia falhas na cadeia de origem e na verificação de dados para comprovar a sustentabilidade.
A empresa afirma que 80% dos pellets vêm de resíduos de serrarias e apenas o restante seria material de descarte. Contudo, especialistas já apontavam que a madeira de 250 anos ainda era adquirida em parte de florestas antigas canadenses, via a planta Burns Lake.
Rowaa Ahmar, ex-chefe de assuntos públicos, acionou a empresa na Justiça ao alegar que foi demitida após alertar sobre a possível desinformação sobre a sustentabilidade dos pellets. Ela relatou pressão interna após as acusações do Panorama.
Executivos indicaram que o chief compliance pode ter sinalizado dúvidas sobre a capacidade de comprovar a origem de todos os pellets, o que traria riscos de violações aos requisitos dos subsídios. A diretoria executiva foi descrita como buscando respostas rápidas.
O governo confirmou que, após a divulgação, a equipe britânica de Drax conduziu uma revisão interna e externa. Ofgem concluiu que não houve evidência de mau uso de subsídios, mas apontou falhas na governança de dados sobre a origem da madeira entre 2021 e 2022, levando a multa de 25 milhões de libras.
Paralelamente, a FCA mantém investigação sobre declarações históricas da empresa sobre a origem dos pellets. A Drax produziu cerca de 10% da eletricidade do Reino Unido em 2024, mantendo a transição de carvão para biomassas de madeira processada.
Em suas defesas públicas, a empresa afirmou ter fornecido material relevante para investigações e que a avaliação regulatória foi conduzida de forma independente, sem admitir responsabilidade. A matéria envolve políticas de subsídio, sustentabilidade e governança de dados.
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