- Caporal afirma que a Eletronuclear não pedirá aporte ao Tesouro Nacional e busca renegociar empréstimos com bancos públicos, além de obter um stand still para Angra 3.
- A companhia diz ter caixa suficiente para apenas dois a três meses, com despesas de Angra 3 chegando a mais de 1 bilhão de reais por ano.
- O BNDES resiste à suspensão dos pagamentos; sem definição sobre Angra 3, o regulatório pode considerar a usina como inexistente.
- A Eletronuclear planeja usar, em 2026, recursos do Fundo de Descomissionamento para aliviar o caixa; TCU já reconheceu direito ao ressarcimento, mas a ANSN tem resistência.
- O CNPE ainda não definiu o futuro de Angra 3; governo sinalizou possibilidade de decisão até o final de 2025.
A Eletronuclear afirma estar em situação crítica, mas não pedirá aporte ao Tesouro Nacional. A empresa busca renegociar empréstimos com bancos públicos e obter um “stand still” para Angra 3, diante de um caixa que deve cobrir apenas dois a três meses de compromissos.
Caporal, presidente interino, informou que o serviço da dívida pode somar R$ 800 milhões neste ano, com custos de manutenção da usina elevando o gasto total acima de R$ 1 bilhão anuais. A estatal já recorreu a Caixa Econômica Federal e ao BNDES por conta da paralisação de Angra 3.
Segundo ele, o BNDES mantém resistência à suspensão de pagamentos enquanto não há definição sobre Angra 3. A Eletronuclear defende que, sem sinal claro de solução, a troca de recursos entre reguladores e bancos seria insuficiente para evitar agravamento do quadro financeiro.
Situação de Angra 3
A capacidade de atender compromissos depende de ações sobre Angra 3, cuja conclusão está ausente há cerca de 10 anos. A estatal avalia que a definição do CNPE é determinante para o futuro da usina, seja por definição de projeto ou pela aplicação de um stand still.
Caporal justificou que o governo é responsável por reguladores como o BNDES e a Caixa, e que um atraso nesse entendimento pode perpetuar o problema de caixa. A reportagem não obteve resposta do MME sobre a avaliação do CNPE ou a data da próxima reunião.
Fundo de Descomissionamento e receitas
O presidente citou que, no primeiro trimestre de 2026, a Eletronuclear pretende usar cerca de R$ 1 bilhão do Fundo de Descomissionamento. O recurso é destinado a desativação futura, não havendo uso imediato de recursos para Angra 3.
O TCU já reconheceu o direito de ressarcimento, mas a ANSN tem resistido ao pagamento. Caporal disse que pretende pedir medida cautelar em janeiro para agilizar a liberação dos recursos. A retirada parcial do Fundo não seria considerada risco à segurança nuclear, segundo ele.
Contexto financeiro e atenção regulatória
A Eletronuclear aponta que, mesmo com operações em Angra 1 e 2, os custos não são totalmente cobertos pelas tarifas atuais. A empresa trabalha para aumentar eficiência, reduzir despesas e reequilibrar tarifas com a Aneel. O Tesouro Nacional aponta risco de aporte à ENBPar em razão da situação da Eletronuclear, conforme relatório de 2025.
O acordo recente entre a União e a Eletrobras deve trazer alívio financeiro, com emissão de debêntures no valor de R$ 2,4 bilhões em etapas. Entretanto, não resolve o desequilíbrio fiscal estrutural da estatal.
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