Em Alta Copa do Mundo NotíciasFutebol_POLÍTICA_Brasileconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Talibã legitima casamento infantil com novo decreto, alertam ativistas

Talibã legitima casamento infantil com nova legislação; lei de divórcio impõe barreiras, deixando meninas sem possibilidade de separação

Women protesting against child marriage in Kabul in March. On the wall they have written: ‘We are the voice of the victims. No to child marriage.’
0:00
Carregando...
0:00
  • Alega-se que o Taliban reconheceu legalmente o casamento infantil pela primeira vez, com uma nova norma de divórcio que dificulta que meninas obtenham separação se o marido não concordar.
  • Ativistas dizem que até setenta por cento das meninas foram empurradas para casamentos precoces desde a exclusão de educação após os 11 anos, com 66% dessas uniões envolvendo menores de dezoito anos.
  • A lei não proíbe o casamento infantil, mas a regra de divórcio indica que uma mulher casada contra a sua vontade não poderia se divorciar sem consentimento do marido. Também há restrições em casos de ausência ou falta de sustento.
  • Movimentos feministas e a ONU expressaram preocupação, afirmando que a medida erosiona direitos de mulheres e meninas e institucionaliza discriminação.
  • Autoridades talibãs defenderam a lei, enquanto organizações de direitos humanos descrevem o texto como um passo preocupante no aprofundamento da violência de gênero.

O Taliban aprovou uma nova norma que parece reconhecer oficialmente o casamento infantil na Afeganistão, segundo ativistas. A legislação envolve uma mudança no regime de divórcio que pode impedir a separação de mulheres caso o marido discorde. O fato acende alerta sobre direitos de meninas e mulheres no país.

A norma foi divulgada na última semana e vem acompanhada de protestos em Kabul, com movimentos femininos condenando a medida como forma de violência sistêmica. Organizações de direitos humanos afirmam que a lei agrava o controle patriarcal sobre o casamento e a autonomia das mulheres.

Especialistas afirmam que não há banimento formal do casamento infantil no regime talibã, mas a leitura da nova regra de divórcio sinaliza que uma jovem pode ficar presa ao matrimônio se não houver concordância do marido. A ausência ou falha de sustento também passa a dificultar a dissolução do vínculo.

Dados oficiais sobre casamento forçado ou infantil não existem, mas ativistas relatam aumento nos últimos anos. Um estudo informal aponta que, desde a restrição educacional para meninas, até cerca de 70% teriam passado a casar cedo ou sob coerção, com uma parcela significativa abaixo dos 18 anos.

Manifestantes na capital também destacam o impacto sobre a educação feminina, já que muitas jovens ficam sem acesso a escolas após certa idade. A restrição educacional é citada por organizações locais como fator decisivo para o aumento de casamentos prematuros.

Segundo a UN Assistance Mission in Afghanistan (UNAMA), a nova norma representa mais erosão dos direitos de mulheres e meninas, consolidando discriminação legal. A agência reforçou que a regra amplia limitações à autonomia e à justiça para mulheres afegãs.

O governo talibã, por meio de um porta-voz, rejeitou as críticas e afirmou que as objeções são feitas por opositores ligados a interpretações religiosas contrárias ao sistema islâmico. A defesa argumenta que as mudanças seguem princípios da lei islâmica.

Contexto e rebatidas

Pesquisas da Afghanistan Human Rights Center indicam que muitas vítimas de casamento infantil sofrem violência doméstica e sofrimento psicológico severo. Casos recentes reforçam a preocupação com o bem‑estar de jovens esposas no país.

Em Daikundi, uma menina de 15 anos morreu após meses de violência conjugal. O pai relatou que a filha havia se casado com um primo oito meses antes, mas os maus-tratos começaram dois meses após o casamento.

Abdul Ahad Farzam, da Afghanistan Independent Human Rights Commission, afirmou que o código talibã legitima o matrimônio infantil e limita o consentimento livre, fortalecendo estruturas patriarcais e posicionando as mulheres em posição jurídica desigual.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais