- HRW lançou relatório anual que aponta aumento de autoritarismo e retrocesso da democracia em mais de 100 países, com foco nos EUA, Rússia e China.
- A organização afirma que a gestão de Donald Trump mergulhou as salvaguardas de direitos humanos, enfraqueceu a independência judicial, reduziu ajuda humanitária e cortou direitos de mulheres e diversidade.
- A HRW acusa a administração Trump de usar o poder do governo para intimidar opositores, veículos de mídia, universidades e organizações da sociedade civil, além de desvalorizar o direito internacional.
- A ONG critica a política externa dos EUA e a retirada de apoios a instituições multilaterais, como o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e o Acordo de Paris, sob a justificativa de soberania.
- Em relação à Ucrânia, a HRW aponta que os esforços de paz de Trump minimizam a responsabilidade da Rússia, ao mesmo tempo em que pressiona Kiev e abre espaço para acordos que poderiam ceder território.
Em relatório anual divulgado nesta quarta-feira, a Human Rights Watch (HRW) alerta para o aumento do autoritarismo em mais de 100 países. A organização aponta, entre outros fatores, o impacto potencial de políticas dos EUA, lideradas pelo então presidente Donald Trump, na erosão de salvaguardas de direitos humanos ao redor do mundo.
A HRW afirma que a ordem internacional baseada em regras está sob forte pressão. O documento destaca ataques à liberdade de expressão, restrições a direitos das mulheres e à privacidade, além de ações que podem fragilizar a independência do judiciário e o sistema de proteção de minorias.
Segundo a HRW, a combinação de pressão externa de potências como China e Rússia com institucionalizações de táticas de autoritarismo dentro de democracias alimenta a retrocessos na democracia global. A organização culpa especialmente a administração Trump por ataques a instituições, cortes de ajuda humanitária e redução de salvaguardas.
A organização ressalta que a atuação externa dos EUA também tem efeito sobre a cooperação internacional. Em termos de política externa, o relatório acusa o governo de buscar simplificar questões complexas com retórica nacionalista e desprezar o direito internacional.
No âmbito interno, a HRW aponta medidas que enfraqueceram a proteção de direitos civis no período analisado. Entre elas, cortes de financiamento, restrições de acesso a serviços de saúde e a direitos reprodutivos, além de ataques a jornalistas, advogados e organizações da sociedade civil.
A pesquisa também envolve o conflito na Ucrânia, destacando que o governo de Trump minimizou a responsabilidade da Rússia por violações graves e pressionou Kiev em questões de território e minerais, segundo a HRW. O documento analisa impactos de tais ações na ordem global.
A HRW ressalta ainda que governos de países com regimes menos democráticos avançam sob o temor de antagonizar grandes potências. A organização observa que direitos humanos e Estado de direito passaram a ser vistos por alguns como obstáculos ao crescimento, em vez de pilares.
Para finalizar, Philippe Bolopion, diretor executivo da HRW, sugere que democracias formem uma coalizão estratégica com defesa de direitos humanos como base. O objetivo é enfrentar a atual “desordem mundial” e fortalecer a governança baseada em regras no cenário internacional.
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