- Gao Yingjia, pastor da Zion Church, permanece detido em Guangxi, acusado de “uso ilegal de redes de informação”, em meio a uma ampla onda de prisões contra líderes de igrejas não oficiais.
- Jin Mingri, fundador da Zion Church, e mais de uma dúzia de pastores e membros foram detidos em outubro; dezoito deles já foram formalmente presos e podem receber longas penas.
- Em Wenzhou, mais de cem pessoas foram detidas em uma operação contra grupos cristãos não autorizados, após disputas sobre a instalação da bandeira chinesa em uma igreja local.
- A fala dura de autoridades ocorreu em meio a novas regras que proíbem sermões on-line de grupos religiosos não licenciados e ao impulso do governo pela “sinicização” das religiões.
- A China reconhece oficialmente cinco religiões; atividades fora de instituições autorizadas são proibidas, o que tem pressionado historicamente comunidades de cristãos que se reuniam em casas.
A polícia realizou prisões em Portugal? Não. Em China, líderes e membros de igrejas não oficiais foram detidos em um amplo operativo que intensifica o controle sobre reuniões cristãs em casas. Gao Yingjia e a esposa Geng Pengpeng, refugiados de Beijing, estavam abrigados quando foram acordados às 2 da manhã por homens sem uniformes. O casal tem um filho de quase seis anos e tentou reduzir o barulho do encontro.
Quase dois meses depois, Gao permanece detido em um centro na província de Guangxi, sob a acusação de uso ilegal de redes de informação. A ação faz parte do maior choque contra o cristianismo não autorizado registrado desde 2018, provocando alerta entre governos e organizações de direitos humanos.
Jin Mingri, fundador da Zion Church, também conhecido como Ezra Jin, está entre os detidos. O grupo inclui dezenas de pastores e membros de diversas igrejas undergrounds. Pelo menos 18 líderes já foram formalmente presos, com chances de longas penas.
Em Wenzhou, cidade de Zhejiang, mais de 100 pessoas foram detidas em uma operação recente contra grupos cristãos não licenciados, segundo a ONG Human Rights in China. A ação ocorre após tensões locais envolvendo a instalação de uma bandeira nacional na igreja.
Geng Pengpeng, que fugiu para fora da China com o filho, descreve o dilema de voltar para ficar perto do marido ou permanecer em outro país para evitar novas detenções. Ela questiona ainda se deve buscar refúgio em outro destino fora da China e da Tailândia, onde atualmente reside.
A repressão é parte de uma ofensiva maior que inclui novas regras para banir sermões online de grupos religiosos sem licença. O objetivo do governo é promover a “Sinicização” das religiões, segundo relatos oficiais, fortalecendo o controle estatal sobre práticas religiosas.
Zion Church, criada em 2007, costumava funcionar em um espaço aberto em Beijing. Em 2018, após a repressão, adaptou-se a um modelo híbrido que mesclava sermões online com encontros presenciais discretos, buscando caminhos para evitar a vigilância.
A repressão já provocou efeitos diversos, com quedas de atividades e questionamentos entre fiéis. Especialistas afirmam que o cerco público aos líderes demonstra a mensagem de que reuniões não autorizadas não serão toleradas, especialmente entre comunidades cristãs independentes.
Autoridades chinesas não responderam a pedidos de comentário sobre os arrestos. O endurecimento se soma a medidas anteriores que restringiram a prática de religiões não sancionadas e aumentaram a fiscalização sobre igrejas não oficiais.
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