- Em Herat, cerca de quatrocentas pessoas participaram de protesto contra as detenções de afegãs e foram alvo de repressão com tiros por parte de talibãs; dezenas de mulheres foram presas nos últimos dias.
- A ONU afima que um menor morreu e que houve agressões durante as ações de repressão, com vídeos que mostram abusos contra manifestantes.
- O serviço de inteligência dos talibãs passou a perseguir principalmente as mulheres que organizaram protestos; muitas usuárias desconectaram perfis em redes sociais por medo de prisão.
- Testemunhos relatam que mulheres foram humilhadas, tiveram telefones apreendidos e, em alguns casos, houve fiança elevada para que familiares as libertassem.
- O movimento de resistência feminina se espalha pelo país, com relatos de intensificação de controles em outras cidades e medidas para impor o uso obrigatório do burka, incluindo fiscalização em escolas.
O episódio ocorreu em Herat, cidade do oeste do Afeganistão, onde uma manifestação de cerca de 400 pessoas foi reprimida por órgãos ligados ao regime talibã. A marcha ocorreu após a detenção de diversas afganas em ruas públicas, levadas a empurrões para dentro de furgonetas brancas por não utilizarem o Burka. A repressão resultou em prisões, ferimentos e disparos contra os manifestantes, segundo relatos de moradores e organizações internacionais.
Uma jovem chamada Fawzia, que não revela o nome completo por segurança, relatou que testemunhou disparos de arma de fogo durante a mobilização. Ela e a mãe, Ariana, conseguiram escapar com ajuda de um descuido de um militante armado e buscaram abrigo no carro do pai. O protesto reuniu homens e mulheres que exigiam educação e trabalho, além da libertação de mulheres presas na ocasião.
Desde então, autoridades talibãs passaram a realizar uma operação de repressão mais rigorosa contra manifestantes, segundo fontes associadas ao ativismo em Herat. O grupo afirma que houve mobilização de inteligência para localizar e deter mulheres envolvidas nas recentes manifestações. A ONU e organizações de direitos humanos registram casos de violência e restrições a atividades civis na região.
Contexto e desdobramentos
Relatos de resistência feminina também chegam de outras cidades afegãs, com relatos de intensificação de patrulhas e controles. A ONU menciona que o regime tem aumentado a vigilância e utilizado medidas para restringir a mobilidade feminina, incluindo limitações para estudar, trabalhar e comparecer a espaços públicos. Amnistía Internacional aponta que dezenas de mulheres foram alvo de detenções, torturas e ameaças.
O movimento de mulheres de Herat tem ganhado visibilidade desde o início deste ano, com ações como protestos, denúncias de agressões e campanhas pela educação. Ativistas indicam que parte dessa resistência ocorre em ambiente de sigilo, com comunicação restrita e risco elevado de retaliação. Nacional e internacionalmente, cresce a preocupação com a escalada de restrições e com o impacto na vida cotidiana de mulheres e meninas na região.
Tamana, 24 anos, foi uma das pessoas detidas em junho no mercado de Qasr-e Herat, após as autoridades ordenarem o uso obrigatório do Burka. Ela relatou que, após a abordagem, foi levada a uma delegacia, teve o celular apreendido e permaneceu sob detenção por horas, com a exigência de fiança para libertação dos familiares. O caso ilustra o ambiente de intimidação que se verifica em relação a manifestações e atividades femininas.
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