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Exposição em Paris revela mundos em desaparecimento de Madeleine de Sinéty

Exposição no Jeu de Paume revela extenso acervo de Madeleine de Sinéty, registrando vida rural e gentrificação urbana na França e nos EUA

Extraordinarily prolific: Madeleine de Sinéty’s *Poilley* (1974), one of around 50,000 photographs the artist took in a small village in northern France between 1972 and 1982
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  • Em 2020, o Centro d’art GwinZegal, na Bretanha, realizou exposição dedicada à fotógrafa Madeleine de Sinéty, com 33.280 diapositivos em cores e 23.076 negativos em preto e branco, feitos entre 1972 e 1982 em Poilley, pequena vila do norte da França.
  • O diretor do Jeu de Paume, Paris, Quentin Bajac, viu a mostra e partiu para uma reflexão sobre a obra em ordem cronológica, produzindo uma mostra ampla com a ajuda do filho da fotógrafa, Peter, além de trazer materiais guardados nos Estados Unidos.
  • A mostra percorre temas como a gentrificação urbana (Montparnasse, Paris, e Meatpacking District, Nova York, nos anos 1970), a vida rural no norte da França e em Maine, e o trabalho de operários, agricultores e comerciantes.
  • De Sinéty, que viveu nos Estados Unidos a partir de 1980 e faleceu em 2011, é reconhecida pela intensidade de seu trabalho e pela proximidade com as pessoas fotografadas, muitas vezes registrando em cores em uma época dominada pelo preto e branco.
  • O Jeu de Paume apresenta, além das fotografias, alguns de seus diários, evidenciando seu estilo antropológico e a reflexão sobre a relação entre moradores de vila, o campo e o trabalho com animais.

A exposição no Jeu de Paume, em Paris, apresenta a obra de Madeleine de Sinéty, fotógrafa francesa cuja produção é descrita como extraordinariamente ampla e concentrada em temas de vida rural e gentrificação urbana na França e nos EUA. A mostra resulta de um processo iniciado em 2020, quando o Centre d’art GwinZegal, na Bretanha, destacou a magnitude de seu arquivo.

A retrospectiva percorre de forma cronológica a trajetória da artista, que acumulou dezenas de milhares de imagens entre 1972 e 1982. Um acervo com cerca de 33.280 diapositivos coloridos e 23.076 negativos em preto e branco foi trazido de Poilley, uma pequena vila no norte da França, onde ela viveu parte da década de 1970. A curadoria atual acredita que há muito mais a ser revelado.

A equipe liderada pelo diretor Quentin Bajac, do Jeu de Paume, reuniu parte do material na França com apoio do filho da fotógrafa, Peter. O material havia ficado guardado nos Estados Unidos, onde De Sinéty morou a partir de 1980. Segundo os organizadores, grande parte das obras nunca havia sido examinada pela própria artista antes do acervo ser aberto.

A mostra destaca temas como a gentrificação em áreas de Paris e Nova York nos anos 1970, o trabalho de trabalhadores da indústria e do comércio, além de cenas da vida rural em França setentrional e em Maine, nos Estados Unidos. A curadoria evidencia, também, a insistência de De Sinéty em fotografar em cores, ainda que a maioria da produção da época fosse em preto e branco.

Sobre o processo criativo, Jerôme Sother, diretor do Centre d’art GwinZegal, afirma que De Sinéty mantinha um ritmo intenso de produção e não registrava um momento para revisar o material. O resultado é uma visão de mundo próxima das pessoas fotografadas, com uma presença forte do vínculo humano nas imagens.

A mostra também reúne alguns diários da fotógrafa, que escrevia em francês com uma linguagem apurada e detalhista. Em 1996, ela descreveu uma relação entre moradores de vila, o manejo da terra e a criação de animais como eixo de sua obra, mesmo diante das mudanças modernas.

Natal de Poilley, Maine e Montparnasse

A curadoria percorre imagens da Montparnasse parisiense e do Meatpacking District em Nova York, além de cenas de Poilley, northern France, e de trabalhadores rurais. O conjunto evidencia a visão de De Sinéty sobre áreas em transformação e populações que convivem com essa mudança.

O Jeu de Paume já exibiu anteriormente parte de sua produção, incluindo um conjunto de diários, textos e fotografias que destacam o compromisso da artista com a observação de comunidades em transição. A mostra atual amplia o marco temporal, acrescentando registros de sua experiência nos Estados Unidos e a opção pela cor como linguagem expressiva.

A exposição permanece em Paris, oferecendo um panorama da vida cotidiana fotografada pela artista ao longo de quase uma década. A curadoria pretende lançar novos caminhos para entender a relação entre pessoas, trabalho e território na obra de Madeleine de Sinéty.

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