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Novo passo na busca pelo público

Governo lança Tela Brasil no Rio2C, com 555 obras e login gov.br, para ampliar o acesso ao cinema nacional, enfrentando desafios tecnológicos e regulatórios

Com barulho. O presidente Lula lançou o projeto no Rio2C. A Hora da Estrela e Deus e o Diabo na Terra do Sol foram os dois títulos mais vistos nos primeiros dias – Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil e Acervo Cinemateca Brasileira
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  • A Tela Brasil foi apresentada pelo governo federal no Rio2C, com a participação do presidente Lula, destacando a ampliação do acesso a filmes brasileiros.
  • O acesso é feito por login no gov.br, a plataforma está em versão web e não possui aplicativo móvel ainda; segundo o MinC, há previsão de app em trinta dias.
  • A estreia reúne 555 obras brasileiras (entre 1910 e 2025), com 267 curtas e 139 longas-metragens; entre os títulos mais vistos estavam A Hora da Estrela e Deus e o Diabo na Terra do Sol.
  • O investimento foi de 10,1 milhões de reais, distribuídos entre licenciamento, participação no Oscar e tecnologia.
  • O acervo inclui conteúdos da Cinemateca Brasileira e da Funarte, com previsão de incorporar material da EBC e da TV Brasil, além de curadoria com foco em cinema negro, indígena e produções dirigidas por mulheres.

Foi lançada a plataforma Tela Brasil durante o Rio2C, evento internacional do setor audiovisual. O anúncio foi feito no sábado 30, em meio a discussões entre grandes players como Globo, Netflix, Disney, YouTube e Warner Bros. O objetivo é ampliar o acesso a filmes brasileiros por meio de um serviço público de streaming.

A apresentação ocorreu em um palco de debate do setor, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva presente. O governo defende que o serviço ajuda a valorizar a produção nacional e a aproximar o cidadão da cultura do país. Lula questionou o consumo de conteúdos estrangeiros e destacou a importância de conhecer a própria produção.

A Tela Brasil funciona, por ora, apenas via web, com login pelo gov.br. Em 30 dias deve ganhar aplicativo para celular. O lançamento traz um acervo inicial de 555 obras brasileiras, produzidas entre 1910 e 2025, incluindo curtas, longas, telefilmes e séries. Os títulos mais assistidos nos primeiros dias foram A Hora da Estrela e Deus e o Diabo na Terra do Sol.

O investimento total ficou em 10,1 milhões de reais. Desse total, 3,8 milhões financiaram licenciamento de títulos, 570 mil foram destinados a filmes que representaram o Brasil no Oscar, e 5,6 milhões atenderam tecnologia de plataforma. Parte do acervo é de instituições vinculadas ao MinC, como Cinemateca Brasileira e Funarte.

Acervo, curadoria e parcerias

A curadoria prioriza cinema negro, cinema indígena e produções dirigidas por mulheres. O Ministério da Cultura prevê incorporar acervos da EBC e da TV Brasil. Segundo a secretária do Audiovisual, a plataforma democratiza o acesso gratuito a conteúdo 100% brasileiro, mantendo o foco em obras viáveis com recursos públicos.

Objetivo estratégico e desafios

A Tela Brasil busca levar filmes de circulação restrita a um público mais amplo, inclusive regiões do interior. A iniciativa também enfrenta o desafio de obtenção de licenças para ampliar o catálogo e competir com plataformas privadas, que dominam o mercado de streaming.

Representantes da indústria, como Daniel Queiroz, da distribuidora Embaúba, destacam a função social do serviço: ampliar o alcance de obras autorais além do circuito de festivais. A ideia é manter títulos relevantes disponíveis para o público em geral, sem barreiras de acesso.

Panorama de mercado e perguntas

Segundo o Panorama de Vídeo por Demanda 2025, apenas 5,3% dos mais de 138 mil títulos disponíveis são brasileiros. Plataformas internacionais costumam ter menor participação de conteúdo nacional. Serviços públicos de streaming, como a Tela Brasil, buscam ampliar essa fatia.

O portal público não cobra ingresso, mas compete com plataformas de preço variável e com grande volume de catálogo. A pergunta central é se o governo conseguirá manter licenciamento suficiente para manter um catálogo atrativo ao longo do tempo.

Observação sobre regulação

Uma sombra no lançamento é a ausência ainda de uma regulação específica para o streaming no Brasil. A norma seria relevante para orientar investimentos contínuos, licenciamento e políticas de conteúdo nacional. A discussão regulatória é citada como fator relevante para a sustentabilidade do projeto.

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