- A obra Portrait of a Young Girl, do artista holandês Toon Kelder, foi localizada entre os herdeiros de Hendrik Seyffardt, um conhecido colaborador holandês e comandante da SS.
- A peça faz parte das mais de mil para ca de pinturas saqueadas pelos ocupantes alemães do acervo de Jacques Goudstikker, comerciante de arte de Amsterdã.
- Um familiar anônimo de Seyffardt informou o detetive de arte Arthur Brand, buscando a restituição da obra aos legítimos donos judaicos.
- No verso da pintura, há o rótulo “Collectie Goudstikker” e o número 92; a pesquisa de leilões de 1940 indicou a pintura como item da coleção saqueada.
- As autoridades holandesas não puderam realizar busca na propriedade por prescrição do furto, e a Restitutions Commission não tem poder sobre coleções nacionais; a divulgação pública visa incentivar a devolução aos herdeiros.
Oito séculos de história de uma obra de arte chegam a uma encruzilhada: a pintura Portrait of a Young Girl, do artista holandês Toon Kelder, foi localizada entre os bens dos herdeiros de um conhecido colaboracionista holandês, o comandados da SS Hendrik Seyffardt. A descoberta ocorreu nesta semana, após uma pista anônima repassada a Arthur Brand, o detetive de arte que investiga casos de saque nazista. A obra tinha ficado por anos em um corredor de uma residência próxima a Utrecht.
Segundo Brand, o contato chegou alguns meses antes, por meio de um herdeiro que mudou de sobrenome. O homem afirmou ter descoberto a herança ligada ao passado do parente e manifestou o desejo de devolver a pintura aos proprietários legítimos. Brand confirmou a informação à The Art Newspaper e à imprensa local.
A obra consta, no verso, com o rótulo Collectie Goudstikker e o número 92. Ao consultar os arquivos de um leilão de 1940, que comercializou parte da coleção saqueada de Jacques Goudstikker, Brand encontrou o item 92 listado como Portrait of a Young Girl. A localização atual da obra, segundo o detetive, está com um familiar do antigo proprietário.
A residência onde a pintura foi localizada pertence a alguém que não sabe exatamente a origem do quadro. As autoridades holandesas não podem realizar busca no imóvel, pois o prazo de prescrição do crime já venceu, e a Restitutions Commission não atua sobre coleções privadas. A única saída, diz Brand, foi tornar o caso público para incentivar a devolução.
A proprietária atual disse ao Telegraaf que não tinha conhecimento de que a obra era saqueada. Ela afirmou que não havia suspeitas anteriores e que a família está discutindo a possibilidade de devolver a pintura aos herdeiros de Goudstikker. A declaração reflete uma mudança de narrativa ao longo das conversas com a imprensa.
O caso ganha relevância simbólica para a memória histórica da Holanda, diante da violência cultural durante a ocupação nazista. Brand enfatizou que um Goudstikker representa a herança de obras roubadas durante o regime de Hitler. A situação também traz ecos de outros casos envolvendo obras saqueadas e encontrados em circunstâncias semelhantes no passado.
O contexto histórico envolve a maior operação de saque de arte da história, com milhares de obras desviadas pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. A investigação segue agora para verificação de documentos adicionais e a eventual restituição a familiares das vítimas do saque, respeitando os procedimentos legais aplicáveis.
Fontes próximas ao caso destacam que a descoberta poderia servir como precedente para casos similares envolvendo acervos privados. A próxima etapa envolve avaliação de comprovações de propriedade e a possível formalização da restituição aos herdeiros legítimos, conforme as leis vigentes.
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