- Pat Steir morreu em Manhattan no dia 25 de março, aos 87 anos, reconhecida como uma das grandes figuras da sua geração.
- Nos anos oitenta, lançou a série Waterfall, em que derramava tinta a partir do topo da tela e deixava a gravidade ditar o curso da tinta.
- Antes disso, ficou famosa pela Brueghel Series (A Vanitas of Style) (1982-84), 64 painéis que reconstroem a história da pintura em estilos diferentes.
- A trajetória incluiu estudo em Pratt e CalArts, além de participação ativa em causas feministas e no circuito de editoras ligadas a arte, como Heresies e Printed Matter.
- O reconhecimento internacional veio tardiamente, com exposições importantes, prêmios como Guggenheim (1982) e Medalha Nacional de Artes (2017), e presença em grandes museus, como Metropolitan Museum of Art e Tate.
Pat Steir, uma das grandes artistas norte-americanas do século XX, faleceu em Manhattan no dia 25 de março, aos 87 anos. A morte encerra uma trajetória marcada pela transformação da gravidade em aliada da pintura e pela consolidação de uma linguagem singular na abstração tardia.
A artista, nascida Iris Patricia Sukoneck em Newark, iniciou a carreira nos anos 1960, estudou em Pratt e em Boston University, e lecionou em CalArts e Parsons. Envolveu-se com movimentos feministas e participou de iniciativas culturais que ampliaram o espaço de produção de mulheres na arte.
Durante a década de 1970, Steir consolidou um vocabulário de natureza conceitual, com pinturas monocromáticas e motivos de grade. O marco veio, no entanto, com a série Brueghel (1982-84), que rebatia quatro séculos de pintura ao desmembrar uma tela de Brueghel em 64 painéis, reinterpretando estilos históricos diversos.
Mudança de técnica e introdução da gravidade
Na segunda metade dos anos 1980, Steir mudou radicalmente a abordagem. Passou a derramar tinta de cima para baixo, permitindo que a gravidade guiasse o traço, usando escada ou elevador mecânico. O resultado foi uma série de pinturas que exploravam o acaso controlado e a verticalidade.
“As próprias obras revelam a potência da tinta mais que a representação da natureza”, observou-se em crítica internacional. A artista não mesclava cores nem cortava a tela; cada camada era aplicada com precisão, mantendo controle sobre paleta, escala e posição, mesmo diante do acaso.
Reconhecimento internacional e legado
Nos anos 1990, Steir ficou marcada como pintora de grande envergadura, com exposições em museus como Brooklyn, New Museum, Tate e outros espaços globais. Ainda sobrey, recebeu prêmios como a Guggenheim Fellowship (1982) e a Medalha Nacional de Artes (2017).
A produção da Waterfall ganhou revisões e novas instalações ao longo de décadas, ampliando o alcance de sua obra para além dos salões de Nova York. Em 2025, sua última mostra europeia ocorreu na Hauser & Wirth Zurich, encerrando uma carreira marcada pela persistência.
Ao longo da vida, Steir discutiu publicamente a percepção de artistas mais velhos no circuito, ressaltando a forma como a indústria valoriza mulheres de idade avançada. Sua obra, porém, permaneceu em constante expansão, até os últimos anos.
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