Em Alta NotíciasFutebolBrasil_POLÍTICA_economia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Quadrilha de lavagem de dinheiro movimentou R$ 39 bilhões para políticos e facções

Rede Arpar, maior esquema de lavagem de dinheiro, movimentou até R$ 45 bilhões e envolve fraude previdenciária, tráfico e propinas

Desde abril do ano passado, PF deflagrou ao menos seis fases da operação Sem Desconto, para apurar fraudes no INSS. (Foto: Cristina Índio do Brasil/Agência Brasil)
0:00
Carregando...
0:00
  • A CPMI do INSS e a Polícia Federal investigam a Rede Arpar, considerada a maior rede de lavagem de dinheiro e evasão de divisas já mapeada no país, ligada a fraudes previdenciárias, tráfico, apostas ilegais e propinas a agentes públicos.
  • O grupo operava por meio de cerca de 40 empresas, movendo aproximadamente R$ 39 bilhões, possibilidade de ultrapassar R$ 45 bilhões conforme outras companhias avaliadas; a maior parte do dinheiro circulava mensalmente entre contas.
  • O esquema seguia três etapas clássicas de lavagem: colocação, ocultação (com uso de fintechs, corretoras de câmbio e criptoativos) e integração na economia formal ou envio ao exterior, por meio de contratos simulados e operações de importação/exportação manipuladas.
  • Houve ligações com o Primeiro Comando da Capital e outros operadores de crimes, com repasses de propinas a agentes públicos e utilização de empresas de fachada para financiar atividades ilícitas.
  • A Comissão não foi prorrogada pelo STF; as investigações já resultaram em prisões, afastamentos e bloqueios de bens, mas autoridades indicam que a teia pode ser ainda maior e seguir ativa em outras frentes.

A CPMI do INSS, em conjunto com a Polícia Federal, revelou uma das maiores redes de lavagem de dinheiro do país. A organização, batizada pela comissão como Rede Arpar, teria movimentado cerca de R$ 39 bilhões e atuaria por anos, com possibilidade de chegar a mais de R$ 45 bilhões com novas análises. O esquema funcionaria como um “banco clandestino” de pelo menos 40 empresas, ocultando a origem dos recursos desviados de fraudes previdenciárias e remetendo valores ao exterior.

Segundo o relatório, a rede despersonalizava pagamentos e criava estruturas para ocultar beneficiários finais. As operações envolveriam recursos não apenas de fraudes ao INSS, mas também de tráfico de drogas, armas, apostas ilegais e propinas a servidores. A auditoria aponta atuação de forma a manter ink de anonimato nas transações.

As investigações apontam que a organização movimentava cerca de R$ 400 milhões por mês, com ao menos R$ 6,3 bilhões ligados diretamente a fraudes previdenciárias. Parte do dinheiro seria reintroduzida na economia formal por meio de operações simuladas de comércio e serviços.

Conexões e alcance

A apuração indica fluxos financeiros ligados a facções criminosas, incluindo o PCC, e a operadores de pessoas politicamente expostas. Investigadores ressaltam a necessidade de aprofundar para identificar todas as empresas e pessoas envolvidas, bem como ativos bloqueados.

Especialistas ouvidos destacam que a estrutura pode operar em outras frentes e se renovar mesmo durante as investigações. A rede utilizaria laranjas, empresas de fachada e contratos simulados para repassar propinas a agentes públicos.

Etapas da lavagem

O esquema descreve três estágios: colocação, ocultação e integração. Recursos desviados eram depositados em contas indicadas para entrar no sistema financeiro. Em seguida, ocorria a circularização entre diversas empresas, com uso de fintechs, corretoras e criptoativos para dificultar o rastreio. Por fim, os valores eram reinseridos com aparência lícita, via importações falsas ou operações fictícias com exportações.

A Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF, já resultou na prisão de dezenas de envolvidos, afastamento de gestores e apreensão de bens de luxo. O STF não aprovou a prorrogação dos trabalhos da CPMI, que ficou sem um relatório final aprovado.

A Gazeta do Povo procurou a Arpar Administração e Participações, citada no material da CPMI. Os contatos oficiais não estavam ativos e não houve resposta ao questionamento, conforme apuração da reportagem. O espaço permanece aberto para esclarecimentos adicionais.

A AGU bloqueou, em junho do ano passado, R$ 2,8 bilhões em bens de entidades ligadas ao caso. A investigação também envolve autorizações para quebra de sigilos bancários e fiscais entre 2019 e 2025, sob decisão judicial, com desdobramentos em várias ações distintas.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais