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Câmeras na cabeça: robôs IA aprendem a cortar frutas, dobrar roupas e cozinhar

Trabalhadores indianos gravam tarefas domésticas com câmeras na cabeça para treinar robôs de inteligência artificial (IA), abrindo mercado de empregos

Indianos recebem para gravar tarefas domésticas e ajudar a treinar robôs de IA — Foto: R.SATISH BABU / AFP
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  • Trabalhadores na Índia treinam IA para robôs domésticos gravando ações com câmeras na cabeça e sensores de movimento, para que máquinas possam imitar tarefas humanas.
  • A dona de casa Nagireddy Sriramyachandra, de 25 anos, grava-se cortando mangas e recebe cerca de 250 rúpias por hora por esse tipo de serviço.
  • Os vídeos são enviados para a empresa Objectways, que usa os dados para programar robôs a se moverem como pessoas no mundo real; clientes incluem empresas da lista Fortune 500.
  • Os treinadores podem trabalhar em casa, em fábricas ou em estúdios; cada vídeo dura cerca de quatro minutos, e a pessoa pode gravar cerca de 90 vídeos por dia.
  • Analistas e empresas veem potencial de expansão desse mercado de dados para robôs humanoides, com a ideia de colaboração entre humanos e máquinas no futuro.

Trabalho de IA avança com treinamento de robôs por meio de gravações em primeira pessoa. Donas de casa indianas, com celulares na cabeça, gravam tarefas domésticas para alimentar modelos de IA. Objetivo: permitir que robôs imitem atividades diárias no futuro.

Nagireddy Sriramyachandra, 25 anos, grava-se cortando mangas em Chennai, Tamil Nadu. Ela recebe cerca de 2 dólares por hora e envia os vídeos a empresas de tecnologia que programam máquinas para se movimentarem como pessoas.

Os clips são enviados a uma empresa chamada Objectways, que atua na Índia e nos EUA. A plataforma recebe as gravações por meio de um aplicativo específico e as utiliza para treinar robôs a executar tarefas domésticas.

Em casa, outras pessoas registram atividades com câmeras na cabeça, óculos especiais e sensores de movimento. O método inclui dobrar roupas, lavar louça e cozinhar, entre tarefas comuns do cotidiano.

Para a indústria, esse trabalho é parte de um ecossistema maior que envolve estúdios, fábricas e estúdios especializados. Em uma fábrica em Karur, funcionários etiquetam bonés e passam a ferro sacolas, com várias pessoas gravando.

O mercado de robôs humanoides está em ascensão. O Morgan Stanley projeta mais de um bilhão de unidades em uso até 2050, o que estimula a demanda por dados de treinamento específicos.

Ravi Shankar, diretor da Objectways, explica que os vídeos solicitados pelos clientes incluem tarefas como dobrar roupas, preparar sanduíches e fazer café. Ele vive nos EUA, mas contrata profissionais do polo de Tamil Nadu.

A empresa de dados Qanat, terceirizada pela Objectways, fornece gravações a quase 10 companhias de dados. Em Andhra Pradesh, cerca de 2 mil colaboradores integram a rede de coleta de dados.

Thaslim Pattan, executivo da Objectways, revela que alguns colaboradores utilizam sensores de movimento nos pulsos, mãos e pernas. Outros registram conversas além de ações, para ampliar o conjunto de padrões de fala.

Manish Agarwal, da Humyn Labs, afirma que robôs não devem substituir trabalhadores, e que muitos cenários envolvem cooperação entre humanos e máquinas. Em trechos da coleta, temas variam de política a esportes.

A prática de gravação em primeira pessoa busca enriquecer modelos de IA com dados reais de uso. Analistas apontam que esse tipo de treinamento facilita a capacitação de robôs para operar em ambientes domésticos.

Embora o emprego seja visto como útil por quem participa, surgem questionamentos sobre condições e remuneração. Especialistas destacam a importância de regulamentação e transparência na cadeia de dados.

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