- O governo encerrou a consulta pública para um guia de competências digitais e midiáticas da pessoa idosa no Brasil.
- Desafios práticos incluem plano de dados limitado, smartphone com interface pouco amigável e dificuldade de usar serviços como gov.br, SUS e Meu INSS.
- O relatório aponta uma cidadania digital de duas classes entre idosos e classifica a situação como violação de direitos do Estatuto da Pessoa Idosa.
- As principais reivindicações envolvem democratização do acesso a ferramentas digitais, dispositivos acessíveis, estruturas comunitárias de apoio, atendimento humano qualificado e capacitação para uso seguro de serviços digitais.
- O texto também ressalta a importância do tema em ano eleitoral, ao considerar o posicionamento dos candidatos sobre políticas de inclusão.
No fim de maio, o governo federal encerrou a consulta pública para a criação de um guia orientativo destinado a desenvolver competências digitais e midiáticas para a pessoa idosa no Brasil. O objetivo é ampliar a inclusão digital de pessoas com 60 anos ou mais, diante de barreiras persistentes que dificultam o acesso.
O relatório da CLNDPI-EDigital aponta desafios como o uso de planos de dados pré-pagos, smartphones com interfaces pouco amigáveis e dificuldades para preencher formulários no Gov.br, agendar consultas no SUS ou checar benefícios no Meu INSS. Nesse cenário, há uma distância entre quem tem pleno acesso à tecnologia e quem fica à margem.
A pesquisa aponta uma cidadania digital de duas classes entre a população idosa: uma minoria com acesso qualificado aos recursos digitais e uma maioria com participação precária ou excluída. Esse quadro é visto como violação de direitos previstos no Estatuto da Pessoa Idosa.
Pontos reivindicados
- Democratização: acesso gratuito a ferramentas digitais, computadores, tablets e internet para idosos de baixa renda.
- Acessibilidade de dispositivos: estímulo à indústria para desenvolver celulares adaptados às necessidades dos idosos.
- Estruturas comunitárias: criação de centros de informática em espaços públicos e sociais, como escolas, bibliotecas e praças.
- Atendimento humanizado: profissionais capacitados para mentoria, letramento digital, combate à desinformação e segurança online.
- Uso seguro: capacitação para utilizar apps, plataformas de saúde e serviços de seguridade social com responsabilidade digital.
- Prevenção de golpes: formação para reconhecer fraudes, golpes financeiros e fake news, com foco em segurança de dados.
O debate, que ganha impulso em ano eleitoral, volta a enfatizar a necessidade de saber como candidatos pretendem atuar para a implementação dessas diretrizes, assegurando que a inclusão digital seja efetiva para toda a população idosa.
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