- Em dezembro, a prefeitura de São Paulo aumentou o contrato com a ONG Instituto Conhecer Brasil para 157 milhões de reais, por meio de aditivo de 49,1 milhões.
- O contrato original era de 108 milhões e prevê a instalação de cinco mil pontos de Wi‑Fi; o aditivo mantém 3,2 mil pontos em funcionamento até dezembro de 2026.
- A área técnica identificou irregularidades graves em 2024 na prestação de contas, no valor de 930 mil reais, mas recomendou aprovação das contas com ressalvas; em março de 2025, a ONG foi considerada capaz de regularizar o passivo financeiro.
- A Operação Wi‑Fi investiga possível desvio de recursos do contrato de 108 milhões para a produtora do filme Dark Horse; há pedidos de sigilo sobre parte das movimentações.
- O prefeito Ricardo Nunes contestou as acusações, afirmou que o uso do dinheiro é da empresa e não compete à prefeitura, e disse que as informações já estão disponíveis no sistema SEI.
A prefeitura de São Paulo aumentou o contrato com a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) para 157 milhões de reais, em dezembro do ano passado. O aditivo elevou o total do acordo com a entidade ligada a Karina Ferreira da Gama, também proprietária da Go UP Entertainment, produtora do filme Dark Horse.
A ampliação ocorre após uma operação da Polícia Civil apurar fraudes no contrato de 108 milhões de reais. A investigação mira indícios de desvio de recursos e possíveis irregularidades em notas fiscais e repasses à produção do filme.
A área técnica da prefeitura, em fevereiro, identificou irregularidade de 930 mil reais na prestação de contas de 2024, mas recomendou aprovação com ressalvas. Em março, a pasta afirmou que a ONG regularizou parte dos passivos em 2025, validando a recomposição de recursos.
O aditivo mira manter 3,2 mil dos 5 mil pontos de wi‑fi públicos contratados pela prefeitura, com a justificativa de continuidade dos serviços até dezembro de 2026. Segundo parecer técnico, as metas do contrato foram cumpridas.
Operação Wi‑Fi e desdobramentos
A Polícia Civil deflagrou hoje a operação que apura o contrato de 108 milhões com o ICB. Delegacia responsável pediu análise de movimentações financeiras pelo Coaf para verificar possível desvio para a produção do filme Dark Horse. Parte do inquérito tramita em sigilo.
O delegado sustenta que a origem de recursos privados para a produção do filme não foi devidamente declarada, com suspeitas de confusão patrimonial. O objetivo é verificar se recursos públicos do programa WiFi Livre SP financiaram a obra.
A prefeitura informou que colabora com as investigações e disponibilizou toda a documentação solicitada, que permanece pública no sistema SEI. O município reforçou que o programa segue funcionando e que não houve pagamento por parte da administração para os cinco mil pontos.
Entre na conversa da comunidade