- A maior parte dos dados da internet europeia passa pelo Mar Vermelho, o que torna a região um ponto de estrangulamento para cabos submarinos.
- Um plano audacioso propõe cabos Arctic para ligar a Europa à Ásia, incluindo uma rota direta pelo Polo Norte, para reduzir a dependência do Red Sea.
- O projeto Polar Connect, liderado por operadores acadêmicos e a GlobalConnect Carrier, recebeu apoio da União Europeia, com cerca de 9 milhões de euros já destinados a pesquisas preparatórias; o custo completo estimado é em torno de 2 bilhões.
- Cabos no Ártico enfrentam grandes desafios de instalação e manutenção, especialmente por causa de icebergs e do scour (arrasto de gelo), o que elevou fracassos anteriores, como o caso Quintillion.
- A meta é colocar o cabo em operação até 2030, mas a viabilidade depende de custo, tecnologia de apoio (icebreakers, navios adaptados) e investimentos públicos.
O trânsito de dados global tende a depender de cabos de fibra óptica que percorrem o fundo do mar, com interrupções frequentes em pontos críticos. Recentemente, governos e empresas avaliam alternativas ao Cabo Red Sea, que liga conectividade entre Europa, África e Ásia.
A ideia em foco é um eixo ártico que cortaria o Atlântico pelo Noroeste do Canadá e ligaria a Europa à Ásia pelo Pacífico Norte. O objetivo é reduzir a dependência de rotas sob controle de terceiros e melhorar a resiliência da internet europeia.
A iniciativa Polar Connect, liderada por operadores nórdicos e pela Stockholm-based GlobalConnect Carrier, recebe apoio da UE, que destinou cerca de 9 milhões de euros para estudos. O custo total estimado fica em torno de 2 bilhões de euros.
O que está acontecendo
Especialistas afirmam que 90% do tráfego europeu passa pelo Mar Vermelho, tornando a área vulnerável. Canais no Mar Vermelho foram danificados por conflitos, gerando atrasos na reparação de cabos submarinos.
Quase quatro cabos foram rompidos em 2024 no Bab el-Mandeb, forçando negociações longas para autorização de reparos. A fragilidade das rotas levou a buscar caminhos alternativos para a conectividade.
Quem está envolvido
A iniciativa Polar Connect envolve a GlobalConnect Carrier, a agência de pesquisa polar e operadores nórdicos. A UE classifica o projeto como Interesse Cableado Europeu. Entre especialistas, há cautela sobre custos e manutenção.
Analistas lembram desafios técnicos: reparos em áreas geladas, necessidade de navios adaptados ao Ártico e quebra de gelo. Falhas antigas mostraram que o ambiente extremo complica restaurações rápidas.
Quando e onde
A linha norte atravessaria o Pacífico Norte, ligando a Noruega e a Ásia, com passagem pela passagem de Nordvest. O estudo de viabilidade deve ocorrer neste verão, visando implementação parcial até 2030.
Outra alternativa avaliada é a passagem pelo Ártico canadense, com o objetivo de reduzir latência entre a UE e a Ásia. A UE já sinalizou apoio financeiro inicial para avançar nos estudos.
Por que é relevante
Defensores dizem que o cabo ártico aumentaria a autonomia europeia e a resiliência da infraestrutura de dados, além de permitir monitoramento ambiental do Ártico. Críticos destacam custos elevados e riscos de manutenção.
Especialistas destacam que o histórico de projetos árticos indica grandes desafios operacionais. Ainda assim, o interesse cresceu diante das interrupções recorrentes nas rotas do Red Sea e do Golfo Pérsico.
Perspectivas e custos
Estimativas indicam abaixo de 1 bilhão de euros para o trecho Noruega-Japão, com o total sugerido entre 2 bilhões. O cronograma aponta operação inicial por volta de 2030, sujeita a avanços tecnológicos e de financiamento público.
Embora o custo seja alto, defensores enxergam ganhos de soberania de dados, menor dependência de terceiros e eventual melhoria em monitoramento climático e ambiental do Ártico.
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