- O psicólogo social Jonathan Haidt proferiu a palestra intitulada Life After Babel na MIT, alertando sobre declínio global de cognição, atenção e vida cívica devido a smartphones e redes sociais.
- Ele afirmou que a situação tende a piorar com a ascensão da inteligência artificial, acelerando a queda da humanidade caso as tendências atuais persista.
- Haidt destacou a destruição da capacidade de atenção como problema central, com impactos na educação, no rendimento escolar e no bem-estar, especialmente desde a popularização dos smartphones na década de 2010.
- O pesquisador sugeriu quatro reformas para reduzir os danos: sem smartphones para crianças antes do ensino médio, sem redes sociais até 16 anos, escolas sem celulares o dia todo e mais autonomia e brincadeiras livres para as crianças.
- Apesar de defender limites, Haidt ressaltou que não é contra a tecnologia em si, enfatizando a necessidade de agir com agência humana para mitigar efeitos negativos.
Jonathan Haidt, psicólogo social, abriu a série Compton Lecture no MIT para discutir impactos negativos de smartphones e redes sociais na cognição, no interesse cívico e no bem-estar das crianças. O estudo aponta aceleração desses efeitos com avanços de IA.
O pesquisador da NYU enfatiza que a diminuição da capacidade de atenção é um problema central. Segundo ele, de 10% a 50% da atenção humana pode estar comprometida, o que prejudica a execução de tarefas simples e o foco em atividades longas.
Haidt detalha que a adoção de tecnologia não é vista como inimiga, mas como fator de risco. Ele cita queda no desempenho educacional e aumento de distração entre estudantes, destacando que o pior impacto não é apenas ansiedade, mas a perda de foco.
Desempenho escolar e comportamento
Dados apresentados por Haidt associam o uso generalizado de smartphones ao declínio de resultados educacionais desde os anos 2010. O professor aponta que muitas escolas introduziram dispositivos conectados ao mesmo tempo em que houve maior acesso a conteúdos digitais.
O pesquisador ressalta que o problema afeta sobretudo a geração Z, embora não atribua culpa exclusiva aos jovens. Ele aponta que a restauração da capacidade de atenção depende de intervenção humana e de mudanças no ambiente tecnológico.
MIT e liderança institucional
A apresentação ocorreu diante de mais de 400 participantes no Huntington Hall, no MIT. Haidt recebeu apoio de autoridades da instituição, incluindo a presidente Sally Kornbluth, que destacou a relevância de repensar o papel da tecnologia no futuro da sociedade.
Entre as propostas, Haidt defende estratégias para reduzir a exposição à tecnologia, como restringir uso de smartphones por crianças antes do ensino médio e manter as escolas livres de celulares durante o dia. O objetivo é aumentar autonomia e tempo de leitura e reflexão.
A conversa também aborda a influência da inteligência artificial no comportamento humano e na democracia. Haidt aponta riscos à democracia global com desinformação e interação online conflituosa, destacando a necessidade de ações para restaurar fatos compartilhados.
Movimento e perspectivas
O pesquisador não propõe o abandono tecnológico, mas um redesenho do relacionamento com a tecnologia. Ele cita iniciativas públicas para limitar o acesso de menores a redes sociais e tecnologias, com exemplos em alguns países que já implementam restrições.
Haidt encerrou reiterando que há espaço para intervenção humana responsável. Segundo ele, é possível reverter parte dos impactos com políticas públicas, educação e uma relação mais crítica com as inovações digitais.
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