- A recomendação final do UK National Screening Committee é que a maioria dos homens no Reino Unido não faça rastreamento de câncer de próstata usando o teste de PSA, por entender que costuma causar mais mal do que bem.
- Homens com variante BRCA2 e histórico familiar de certos cânceres devem ser rastreados a cada dois anos, entre 45 e 61 anos.
- Grupos de alto risco, como homens negros, não devem fazer rastreamento, devido à incerteza sobre benefícios e harm.
- Os principais riscos do rastreamento populacional incluem incontinência e disfunção erétil em quem não precisa de tratamento.
- O governo vai avaliar a recomendação, com o NHS acompanhando dados do ensaio Transform para esclarecer impactos e participação de homens negros.
O UK National Screening Committee (UKNSC) divulgou a recomendação final sobre o rastreamento de câncer de próstata, que aponta que a maioria dos homens no Reino Unido não deverá ser convidada para o exame. A decisão sinaliza que o rastreamento com o teste de PSA tende a causar mais danos do que benefícios.
O parecer também sugere que homens com variante BRCA2, histórico familiar de certos cânceres e maior risco, devem ser rastreados a cada dois anos entre 45 e 61 anos. Entre grupos de alto risco avaliados, há ressalvas quanto a benefícios, especialmente para homens negros.
A orientação foi apresentada pelo presidente do UKNSC, Prof Sir Mike Richards, que enfatizou que o rastreamento pode reduzir mortes de forma muito limitada e não melhora a sobrevida global. O comitê adianta que muitos homens podem viver com a doença sem necessidade de tratamento.
Para BRCA2, o comitê argumenta que o câncer de próstata é mais comum, tende a ocorrer mais cedo e pode ser mais agressivo. A estimativa é de que entre 100 homens com BRCA2, 21 a 35 desenvolvam a doença até os 80 anos. Ainda não há consenso sobre a melhor forma de identificar e convidar esses pacientes.
O UKNSC manteve a exclusão de outras comunidades de alto risco, incluindo homens negros, citando incertezas sobre o equilíbrio entre danos e benefícios. O comitê ressalta a necessidade de mais pesquisas para preencher lacunas de evidência, incluindo a participação de mais homens negros no estudo Transform, lançado pela Prostate Cancer UK.
O governo afirmou que vai considerar a recomendação final. O secretário de Saúde, James Murray, será informado em breve sobre a resposta oficial, com avaliação cuidadosa antes de qualquer decisão pública. A NHS integrará os impactos em sua agenda de saúde pública.
Especialistas ouvidos destacam que o câncer de próstata é o mais comum no país, com mais de 64 mil diagnósticos anuais. Eles orientam a busca por decisão compartilhada entre médicos e pacientes, com base no equilíbrio entre benefícios e riscos de diagnóstico e tratamento.
Comentando sobre o contexto, executivos de pesquisa destacam a necessidade de reduzir o diagnóstico excessivo e evitar tratamentos desnecessários. Organizações de apoio reiteram a importância de evidências atualizadas para orientar políticas futuras.
Entre na conversa da comunidade