- O IDHM do Brasil alcançou o patamar de muito alto pela primeira vez, reflexo, principalmente, do aumento de matrículas e frequência escolar impulsionados pelo Bolsa Família, segundo Radar IDHM divulgado em 26 de maio.
- O levantamento utiliza a metodologia do IDH e acompanha dados de saúde, educação e renda, destacando a educação como principal motor da melhoria.
- O Bolsa Família impõe condicionalidades, como manter a vacinação em dia e a frequência escolar mínima dos filhos; descumprimento pode levar à suspensão do benefício.
- Apesar do avanço, persiste desigualdade racial e de gênero, com ganhos maiores entre grupos de baixa renda, majoritariamente negros, e ainda significativas disparidades entre brancos e negros.
- Em 2024, o IDHM foi de 0,805, com o índice educacional em 0,798, renda em 0,760 e saúde acima de 0,800 na média nacional; a pandemia de 2021 foi a exceção isolada no quadro de saúde.
O IDHM do Brasil atingiu pela primeira vez a faixa de “muito alto”, impulsionado principalmente pela expansão do acesso à educação proporcionada pelo Bolsa Família. O dado é do Radar IDHM, divulgado nesta terça-feira (26) pelo PNUD, em parceria com o IBGE e a Fundação João Pinheiro. A análise usa a metodologia do IDH, com dimensões de saúde, educação e renda.
O estudo abrange 2012 a 2024 e aponta que a educação foi o principal motor da subida. A saúde manteve patamar estável, acima de 0,800, com exceção de 2021, reflexo da pandemia. A renda oscila em torno de 0,76, enquanto a educação chegou a 0,798, sustentando o conjunto em 0,805 em 2024.
Avanço educativo e desigualdade
Betina Ferraz Barbosa, economista-chefe do PNUD Brasil, destaca que a política social tirou crianças de cenários de vulnerabilidade e trabalho infantil. Ainda assim, o documento aponta desigualdades acentuadas por raça e gênero, apesar da melhoria global.
A maior parte dos beneficários do Bolsa Família está entre famílias de baixa renda, majoritariamente negras. Dados do Radar IDHM indicam que o avanço educacional ocorreu principalmente nesses grupos, reduzindo a distância entre brancos e negros, mas sem eliminar as disparidades.
Mudanças demográficas e perspectivas
O radar aponta que o Brasil enfrenta um processo demográfico em que a população negra ganha peso relativo na composição por raças. Especialistas ressaltam que o futuro econômico dependerá cada vez mais de jovens negros, o que exige política pública integrada entre educação, saúde e renda.
O IDHM de 2024 ficou em 0,805, acima de 0,800 pela primeira vez desde 2012. O resultado reforça o papel da educação como vetor central para o desenvolvimento humano, ainda que a renda e a desigualdade permaneçam como desafios estruturais.
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