- Brasil e Canadá retomam cooperação em saúde com assinatura de memorando de entendimento, durante missão do ministro Alexandre Padilha em Genebra, fortalecendo temas como saúde, clima, saúde digital e transferência de tecnologia.
- Canadá manifestou interesse em integrar a Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo em Saúde, ampliando o papel de países do Norte e do Sul Global na agenda de acesso a tecnologias em saúde.
- Canadá indicou representantes para o Comitê Diretor da Coalizão, fortalecendo a participação do país em pesquisa biomédica, regulação sanitária e produção biofarmacêutica; quatro organizações ingressaram ao Comitê Consultivo: Organização Pan-Americana da Saúde, Medicines for Malaria Venture, Medicines Patent Pool e South Centre.
- Brasil e Canadá aderiram ao Plano de Ação de Belém, promovendo adaptação dos sistemas de saúde às mudanças climáticas e fortalecendo soluções mais resilientes.
- Dengue foi definida como prioridade da Coalizão; o ministro Padilha abriu chamada de propostas até 1º de julho para incentivar inovação, produção regional e acesso equitativo em saúde, incluindo a vacina Butantan-DV.
Brasil e Canadá formalizaram nesta terça-feira 19 a retomada da cooperação internacional em saúde, com assinatura de um memorando de entendimento em Genebra, durante a visita do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A iniciativa visa fortalecer temas como saúde, clima, saúde digital e transferência de tecnologia.
A assinatura ocorreu no terceiro dia da missão oficial de Padilha, num gesto que marca a inédita parceria estruturada entre os dois países após cerca de duas décadas sem acordos nessa área. O objetivo é ampliar o acesso universal a serviços e insumos de saúde, fortalecendo cadeias produtivas e capacidades regulatórias.
Adoção da Coalizão Global do G20
O Canadá manifestou interesse em integrar a Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo em Saúde, liderada pelo Brasil. A adesão foi formalizada por meio de carta à Coalizão, assinada pela vice‑ministra da Saúde canadense e pela presidente da Agência de Saúde Pública do Canadá.
Representantes canadenses entrarão no Comitê Diretor da Coalizão, fortalecendo a cooperação em pesquisa biomédica, regulação sanitária e produção biofarmacêutica. O movimento amplia a atuação global da iniciativa, que já conta com a participação de várias organizações internacionais.
Fortalecimento de voos estratégicos
Padilha anunciou a adesão de quatro organizações internacionais à Coalizão: Opas, MMV, MPP e South Centre. Com isso, o comitê consultivo passa a ter 28 participantes, reforçando a articulação entre inovação, financiamento e políticas de saúde pública.
O presidente da Fiocruz, em papel de secretário‑executivo da Coalizão, destacou que a soberania sanitária passa a ser prioridade. Ele ressaltou a necessidade de reduzir dependência de tecnologias externas e ampliar capacidades nacionais.
Plano de Ação de Belém e regulação
Durante o encontro, o Canadá aderiu ao Plano de Ação de Belém, ampliando os esforços para adaptar sistemas de saúde aos impactos climáticos. A medida integra iniciativas lideradas pelo Brasil para tornar os sistemas mais resilientes e sustentáveis.
A cooperação também avançou na parceria entre Anvisa e a agência reguladora canadense, já alinhadas em governança regulatória, produção local e vigilância sanitária. As duas instituições ocupam posições de liderança na Associação Internacional de Agências Reguladoras.
Dengue como prioridade da Coalizão
A dengue foi definida como o principal desafio da Coalizão em reunião de alto nível, com estimativas de 100 milhões a 400 milhões de infecções anuais. Padilha destacou a importância da inovação e da produção regional de tecnologias para enfrentar a doença.
A atuação da Coalizão busca fortalecer capacidade de resposta por meio de vacinas, diagnósticos e tratamentos, com foco em populações vulneráveis. O ministro convidou governos, pesquisadores, organizações internacionais e setor privado a participar da primeira Chamada de Propostas, aberta até 1º de julho.
Contexto e objetivos
A Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo em Saúde foi criada a partir da Carta de Genebra durante a Assembleia Mundial da Saúde e reúne governos, organizações internacionais, setor privado e academia. A iniciativa, sediada pela Fiocruz, visa reduzir desigualdades no acesso a tecnologias de saúde e fortalecer cadeias produtivas.
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