- Mais da metade das famílias rurais com renda anual inferior a £40 mil enfrentam dificuldade de acessar alimentos saudáveis a preços acessíveis, diz estudo da Universidade de Sheffield.
- O estudo mostra uma clara diferença entre cidade e campo: famílias rurais de áreas relativamente ricas têm risco maior de insegurança alimentar do que famílias urbanas pobres.
- Em áreas rurais, 52,5% de famílias com renda idêntica ficam a mais de vinte minutos a pé da loja mais próxima de frutas e verduras, ante 7% em áreas urbanas carentes.
- Aproximadamente um em oito domicílios no Reino Unido enfrentou insegurança alimentar em fevereiro; o estudo recomenda revisão nacional de áreas com acesso precário a lojas de alimentos e apoio a alternativas de baixo custo, como clubes de alimentação e supermercados comunitários.
- O governo afirma buscar um sistema alimentar que garanta acesso a comida saudável, citando ampliação de clubes de café da manhã, ampliação de refeições escolares gratuitas e fim do limite de benefício para a segunda criança.
Rural Britain está se tornando uma espécie de deserto alimentar para famílias de baixa renda, conforme estudo da Universidade de Sheffield. O fechamento de lojas locais e o transporte público deficiente elevam o risco de fome e do custo de vida na zona rural.
O levantamento, que envolveu 14.158 domicílios com renda anual inferior a 40 mil libras, aponta uma divisão acentuada entre campo e cidade. Em áreas rurais, 52,5% das famílias com essa renda vivem a mais de 20 minutos a pé da loja mais próxima de frutas e verduras. Nas áreas urbanas urbanas mais pobres, o índice é de 7%.
A pesquisa define insegurança alimentar como acesso inadequado a alimentos nutritivos por questões de dinheiro ou de proximidade a lojas. Estima-se que cerca de um a cada oito lares no Reino Unido tenha passado por esse problema em fevereiro, refletindo impactos no orçamento familiar, saúde mental e físico, além do estigma social.
Mais da metade das famílias de baixa renda em áreas rurais fica a mais de 20 minutos da loja que vende frutas e verduras frescas, o que agrava a situação de alimentação saudável. O estudo destaca que regiões rurais, mesmo com produção de alimentos, enfrentam barreiras logísticas e de acesso.
Segundo a autora do estudo, Megan Blake, as dificuldades vão além do orçamento. Ambientes com poucas opções de compra elevam o risco de insegurança alimentar em comparação com famílias de renda semelhante que podem caminhar até uma loja de baixo custo em poucos minutos. O relatório aponta que o problema está relacionado a custos de energia, fechamento de estabelecimentos rurais e logística de supermercados concentrados nas cidades.
O trabalho reforça ainda que deserto alimentar aparece também em bairros isolados de habitação social, áreas periurbanas e zonas costeiras. Movimentos comunitários em Castlemilk, perto de Glasgow, têm pressionado por uma grande rede de supermercados para melhorar o acesso a produtos frescos.
A pesquisa recomenda uma revisão nacional para mapear áreas com acesso precário a lojas de alimentos, com foco em zonas rurais, comunidades pós-industriais e costeiras. Também propõe apoio a alternativas de varejo de baixo custo, como clubes de alimentos e supermercados comunitários.
Dados recentes indicam que o custo de vida no Reino Unido subiu 50% desde 2021, com variações regionais significativas. Em estudos locais, o preço de uma cesta básica em lojas de conveniência rurais pode chegar a 62% acima do valor em mercados de rede de baixo custo próximos.
O estudo conclui que insegurança alimentar não resulta apenas da renda. Mesmo pessoas que trabalham em tempo integral podem enfrentar o problema, sem que a pobreza avulte de forma uniforme entre os grupos analisados.
Um porta-voz do governo afirma que o objetivo é um sistema alimentar que assegure acesso a comida saudável e acessível. O governo cita medidas como ampliação de clubes de café da manhã gratuitos, expansão de merenda escolar gratuita para mais crianças e políticas de combate à dependência de doações, sem detalhar prazos.
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