- Portugal abriga cerca de 1,5 milhão de estrangeiros, quase 14% da população, sendo a maioria trabalhadores migrantes.
- Em 2024, cerca de 1,1 milhão de imigrantes contribuíram para a Previdência Social, com aumento de 447% em dez anos e contribuições próximas a 4,2 bilhões de euros (≈ 14% do total).
- Setores como turismo e serviços dependem de mão de obra estrangeira; trabalhadores brasileiros atuam em várias atividades, incluindo comércio, entrega e transporte.
- Especialistas afirmam que, sem trabalhadores imigrantes, a economia enfrentaria problemas, com risco de fechamento de empresas e prejuízos na exportação agrícola.
- Há demanda por política de imigração de longo prazo; críticas às propostas da extrema-direita apontam que limitar permanência ou reduzir duração de visto agrava dificuldades e não resolve impactos econômicos.
Portugal depende de trabalhadores estrangeiros para manter setores-chave da economia. O país abriga cerca de 1,5 milhão de imigrantes, equivalente a 14% da população. A maioria atua em atividades produtivas, especialmente comércio e serviços.
Um estudo da Aima, com o Observatório das Migrações, aponta que, no ano passado, 1,1 milhão de estrangeiros contribuíram para a Previdência Social, com alta expressiva em relação a dez anos atrás. Os pagamentos somaram quase 4,2 bilhões de euros, cerca de 14% do total.
Segundo o sociólogo Elísio Estanque, as contribuições dos imigrantes ajudam a sustentar a Previdência, diante do envelhecimento da população e do aumento de gastos com saúde. Ele destaca que muitos imigrantes atuam em flexibilidade de mão de obra necessária nos setores de turismo e serviços.
No setor de turismo, que responde por cerca de 20% do PIB, a presença de mão de obra estrangeira é considerada determinante para a continuidade de atividades. Além disso, trabalhadores de origem brasileira atuam em funções como motoristas de aplicativos e entregas, amplamente presentes no varejo e na hospitalidade.
Verônica Santos, brasileira que vive em Leiria há três meses, aponta ganhos que, para ela, justificam a mudança. Ela e o marido trabalham em Portugal sem grandes dificuldades de inserção. A dirigente do Chega tem adotado slogans que apontam para restrições, ampliando o debate público sobre imigração.
Para especialistas, a adoção de políticas de imigração de longo prazo é essencial. Eles afirmam que a redução de permanência ou a limitação de direitos aumentariam vulnerabilidades e não solucionariam a escassez de mão de obra. A avaliação é de que o país precisa de uma estratégia integrada de integração e planejamento.
Perspectivas de política pública
Os estudos sugerem que Portugal ainda não consolidou uma política de imigração com visão de longo prazo. A falta de coordenação entre integração, educação e mercado de trabalho facilita tensões sociais. Economistas destacam a necessidade de estratégias que equilibrem demanda por trabalhadores e proteção social.
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