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Portugal depende cada vez mais de trabalhadores estrangeiros

Imigrantes sustentam o sistema social e empregos em setores-chave; sem eles, turismo e agroindústria enfrentariam paralisação, agravando déficits públicos

Líder da extrema-direita, André Ventura foi derrotado nas eleições presidenciais de Portugal. Foto: FILIPE AMORIM / AFP
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  • Portugal abriga cerca de 1,5 milhão de estrangeiros, quase 14% da população, sendo a maioria trabalhadores migrantes.
  • Em 2024, cerca de 1,1 milhão de imigrantes contribuíram para a Previdência Social, com aumento de 447% em dez anos e contribuições próximas a 4,2 bilhões de euros (≈ 14% do total).
  • Setores como turismo e serviços dependem de mão de obra estrangeira; trabalhadores brasileiros atuam em várias atividades, incluindo comércio, entrega e transporte.
  • Especialistas afirmam que, sem trabalhadores imigrantes, a economia enfrentaria problemas, com risco de fechamento de empresas e prejuízos na exportação agrícola.
  • Há demanda por política de imigração de longo prazo; críticas às propostas da extrema-direita apontam que limitar permanência ou reduzir duração de visto agrava dificuldades e não resolve impactos econômicos.

Portugal depende de trabalhadores estrangeiros para manter setores-chave da economia. O país abriga cerca de 1,5 milhão de imigrantes, equivalente a 14% da população. A maioria atua em atividades produtivas, especialmente comércio e serviços.

Um estudo da Aima, com o Observatório das Migrações, aponta que, no ano passado, 1,1 milhão de estrangeiros contribuíram para a Previdência Social, com alta expressiva em relação a dez anos atrás. Os pagamentos somaram quase 4,2 bilhões de euros, cerca de 14% do total.

Segundo o sociólogo Elísio Estanque, as contribuições dos imigrantes ajudam a sustentar a Previdência, diante do envelhecimento da população e do aumento de gastos com saúde. Ele destaca que muitos imigrantes atuam em flexibilidade de mão de obra necessária nos setores de turismo e serviços.

No setor de turismo, que responde por cerca de 20% do PIB, a presença de mão de obra estrangeira é considerada determinante para a continuidade de atividades. Além disso, trabalhadores de origem brasileira atuam em funções como motoristas de aplicativos e entregas, amplamente presentes no varejo e na hospitalidade.

Verônica Santos, brasileira que vive em Leiria há três meses, aponta ganhos que, para ela, justificam a mudança. Ela e o marido trabalham em Portugal sem grandes dificuldades de inserção. A dirigente do Chega tem adotado slogans que apontam para restrições, ampliando o debate público sobre imigração.

Para especialistas, a adoção de políticas de imigração de longo prazo é essencial. Eles afirmam que a redução de permanência ou a limitação de direitos aumentariam vulnerabilidades e não solucionariam a escassez de mão de obra. A avaliação é de que o país precisa de uma estratégia integrada de integração e planejamento.

Perspectivas de política pública

Os estudos sugerem que Portugal ainda não consolidou uma política de imigração com visão de longo prazo. A falta de coordenação entre integração, educação e mercado de trabalho facilita tensões sociais. Economistas destacam a necessidade de estratégias que equilibrem demanda por trabalhadores e proteção social.

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