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Quase metade dos feridos por balas e estilhaços na cabeça em Gaza são menores

45% dos pacientes com trauma cranioencefálico penetrante em Gaza eram crianças ou adolescentes, com mortalidade de 30% e 49% com desfechos favoráveis

Un hombre lleva a un niño herido y rescatado debajo de los escombros de su casa familiar, tras un ataque aéreo israelí contra Deir Al Balah, en el sur de la Franja de Gaza, el 7 de marzo de 2024.
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  • Estudo publicado na revista JAMA Network analisou 719 pacientes com traumatismo cranioencefálico penetrante atendidos entre 1 de janeiro e 30 de setembro de 2025 em dois hospitais de Gaza, revelando que 45% eram crianças ou adolescentes.
  • Desses 321 menores, 292 tinham ferimentos por metralla e 21 por bala na cabeça; a média diária de atendimentos pediátricos foi de 1,18.
  • Entre os menores, 30% morreram e 49% apresentaram desfechos favoráveis; 21% não tiveram desfecho conhecido; muitos com sequelas graves ou estado vegetativo.
  • Os autores destacam que o estudo representa o maior conjunto de dados já registrado em região de guerra sobre pacientes pediátricos com TCE penetrante.
  • O relatório aponta limitações de atendimento devido bombardeios, falta de equipamentos neurocirúrgicos e outras dificuldades, em meio a um contexto de violência que deixou milhares de crianças vítimas na Gaza desde 2023.

Em Gaza, estudo envolvendo neurocirurgiões de três instituições aponta que 45% das pessoas com traumatismo cranioencefálico penetrante atendidas entre janeiro e setembro de 2025 eram menores de idade. Os casos ocorreram em dois hospitais da Faixa: o Complexo Médico Nasser e o Hospital Europeu de Gaza. A pesquisa envolveu 719 pacientes tratados nesse período.

Entre as crianças analisadas, 321 tinham idade até 19 anos, sendo 292 vítimas de metralla e 21 de balas no crânio. A média diária de pacientes pediátricos foi de 1,18 nessas unidades hospitalares. Segundo o estudo, o número de casos sugere forte impacto de combates na população infantojuvenil.

O relatório, publicado na revista JAMA Network, ressalta que traumas penetrantes no crânio costumam romper a dura mater e são uma das feridas de guerra mais letais. Sobreviventes frequentemente apresentam sequelas neurológicas e dificuldades psicossociais a longo prazo.

Entre os 321 casos de menores, 30% foram fatais e 49% evoluíram com boa recuperação ou deficiência moderada. O restante, 21%, teve desfechos ainda não determinados. Dados precários sobre resultados a longo prazo também aparecem no estudo.

Os autores destacam que este é o maior conjunto de dados já analisado em zona de guerra, com foco em pacientes pediátricos. Em análises anteriores, entre 2004 e 2012, em Irak e Afeganistão, foram registrados 392 casos de TCE em crianças.

A pesquisa aponta, ainda, limitações operacionais em Gaza, como interrupções de atendimento por bombardeios e carência de equipamentos de neurocirurgia. Tais fatores podem ter influenciado tanto a intervenção quanto o desfecho dos pacientes.

Outros especialistas citados indicam que ataques sobre áreas próximas a hospitais dificultam o manejo clínico. Um médico envolvido no estudo afirma que as lesões graves em crianças raramente foram tão numerosas em literatura médica recente.

O estudo reforça a necessidade de proteção de menores em conflitos e de acesso a tratamento neurológico adequado. Ao analisar os dados, os autores destacam a gravidade da situação para crianças expostas ao conflito em Gaza.

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