- Retatrutide é um fármaco experimental de perda de peso que atua em três hormônios da fome; ainda não foi aprovado e já gera interesse, com pessoas buscando o remédio ilegalmente online.
- Vídeos virais relatam “emotional flattening” e redução de desejo, com relatos de anedonia e menor reatividade emocional.
- Pesquisadores destacam que GLP‑1s podem afetar áreas de recompensa no cérebro, potencialmente influenciando humor, comportamento e sintomas depressivos.
- Especialistas lembram que ainda é cedo para conclusões: o efeito exato do GLP‑1 no cérebro é pouco entendido e os dados vêm de estágios iniciais de pesquisa.
- Os efeitos variam entre pacientes; recomenda-se acompanhamento médico para qualquer mudança emocional ou sexual durante o uso dessas medicações.
O retatrutide, droga experimental para emagrecimento que ainda não foi aprovada, voltou a ganhar atenção por relatos de suposta afetividade diminuída entre usuários. A medicação atua em três hormônios ligados ao apetite e está em fase de estudos clínicos, gerando interesse e também dúvidas.
Relatos publicados em redes sociais indicam que alguns pacientes perceberiam redução de desejos afetivos e de prazer, além de menor responsividade emocional. A discussão ganhou força após vídeos virais que associam o uso do medicamento à dificuldade de manter relacionamentos.
Ainda não há evidência robusta de que o retatrutide cause perda de amor ou vínculos, mas pesquisadores apontam que a medicação atua no sistema de recompensa do cérebro, o que pode influenciar emoções de forma indireta. O tema é objeto de investigação recente.
Especialistas avaliam o cenário
Paul Kenny, neurocientista da Icahn School of Medicine, afirma que o uso de GLP-1 por milhões de pessoas representa um grande experimento. Dados sobre impactos comportamentais ainda são limitados, mas indicam efeitos que vão além da regulação do apetite.
Segundo o médico Naveed Asif, médico de clínica geral em Londres, medicamentos que atuam no GLP-1 podem alterar o fluxo sanguíneo e a atividade de receptores de dopamina, o que pode impactar desejo e função sexual em alguns pacientes.
Doutora Sophie Dix, da MedExpress, aponta que a relação entre reduzir a fome e evitar o amor é complexa. Ela ressalta que relatos variam e que ganhos na saúde metabólica costumam elevar autoconfiança e autoestima, o que pode aumentar o desejo em muitos casos.
A comunidade médica enfatiza a necessidade de mais estudos para compreender efeitos no cérebro e no comportamento. Profissionais recomendam que pacientes relatem mudanças emocionais ou sexuais aos seus médicos, para avaliação individual.
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