- A reportagem do Guardian, publicada em abril de 2023, revelou como Facebook e Instagram eram usados para tráfico de crianças, com evidências em mensagens privadas e em anúncios nos Stories, sem detecção ou remoção pela Meta.
- As apurações mostraram negociações de venda e exploração de adolescentes em transcrições e anexos, obtidos via banco de dados de processos e documentos judiciais.
- Em New Mexico, a Meta foi condenada a pagar 375 milhões de dólares em sanções civis por violar leis de proteção ao consumidor; a empresa pretende recorrer.
- O caso destacou controvérsias sobre criptografia do Messenger e sobre a eficácia das ferramentas de autorrelato versus a detecção própria da empresa, com o presidente-executivo do Instagram, Adam Mosseri, sendo questionado em juízo.
- Ainda houve críticas sobre o desempenho da Meta em casos envolvendo danos a crianças, com novos processos em Los Angeles e a expectativa de ações de defesa de dezenas de procuradores-gerais.
Um relatório conjunto do Guardian expôs como redes sociais de Meta foram usadas para facilitar o tráfico sexual infantil, levando a uma batalha jurídica multimilionária contra a empresa. A investigação, iniciada em 2021, revelou evidências de comércio de menores em Facebook e Instagram, especialmente em Messenger e contas privadas.
Determinados por meio de documentos judiciais, depoimentos e entrevistas com ex-funcionários de moderação, os repórteres mostraram que traficantes buscavam adolescentes para grooming e venda de conteúdo sexual, com anúncios em Stories e negociações registradas em mensagens privadas. A apuração não encontrou sinais de detecção eficaz por parte da Meta.
Entre as fontes, estavam autoridades de segurança pública dos EUA, promotores e organizações antitráfico. Ex-funcionários relatam que as diretrizes da empresa para encaminhar casos à polícia eram restritas e, frequentemente, não resultavam em ações rápidas para remover conteúdos ou identificar vítimas.
A apuração incluiu visitas a um centro de acolhimento em Washington DC, Courtney’s House, que apoia meninas negras vítimas de tráfico. Em depoimento, Tina Frundt descreveu como traficantes exploravam adolescentes por meio de Instagram, incluindo casos de envolvimento de familiares.
Em Massachusetts, autoridades explicaram que o tráfico por meio de redes sociais cresceu cerca de 30% ao ano, agravado pela pandemia, com criminosos migrando atividades para ambientes digitais e transações financeiras eficientes. A reportagem também ouviu casos de traficantes que operavam no Instagram.
O processo contra Meta resultou em março deste ano, com a empresa sendo condenada a pagar 375 milhões de dólares (281 milhões de libras) por violar leis de proteção ao consumidor no Novo México. A companhia informou que irá recorrer e manteve que protege jovens online.
Ainda segundo a cobertura, a Guardian continuou a publicar revelações sobre o tema nos anos seguintes, incluindo uso de Messenger e Meta Pay para facilitar abusos, além de casos já relatados de jovens como Kristen Galvan, cuja história de grooming ocorreu via Instagram.
Além das ações no Novo México, a semana seguinte viu Meta enfrentar novo processo em Los Angeles, ligado a recursos da plataforma que afetariam a saúde mental de menores. A empresa anunciou que irá recorrer, destacando seu compromisso com a proteção de menores.
Especialistas e autoridades ressaltam a necessidade de melhorar a detecção de crimes em plataformas digitais e fortalecimento de medidas de moderação, para evitar que redes sociais se tornem mercados para exploração sexual de crianças.
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