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Ignorância se espalha na sociedade do conhecimento e ameaça a cultura atual

Estudos recentes revelam a crescente desconfiança pública em relação à ciência, impactando a percepção sobre saúde e vacinas.

Ato de protesto contra os cortes orçamentários em frente ao Monumento a Lincoln, com uma pancarta que diz "A ciência faz grande a América" (Foto: Reprodução)
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  • A tabacalera Brown & Williamson utilizou estratégias de desinformação sobre os efeitos do tabagismo, conforme um memorando de 1992 revelado pelo historiador Robert N. Proctor.
  • A empresa investiu milhões para criar dúvidas sobre a relação entre fumar e câncer, apesar de evidências já comprovadas desde 1964.
  • Estudos sobre agnotologia mostram que a produção deliberada da ignorância é uma prática antiga, afetando a percepção pública em diversas áreas.
  • Dados da Fundação Espanhola para a Ciência e a Tecnologia indicam que cinquenta por cento dos espanhóis acreditam que as farmacêuticas ocultam os perigos das vacinas.
  • Especialistas sugerem alfabetização mediática desde a infância e maior transparência nas plataformas digitais para combater a desinformação.

A tabacalera Brown & Williamson, conhecida por suas práticas de desinformação sobre os efeitos do tabagismo, revelou em um memorando de 1992 estratégias para criar dúvidas sobre a relação entre fumar e o câncer. O documento, descoberto pelo historiador Robert N. Proctor, sugere que a empresa investiu milhões para fomentar a ignorância sobre um fato já comprovado desde 1964.

Estudos recentes sobre agnotologia, o estudo da produção deliberada da ignorância, mostram que essa prática não é nova. Fernando Broncano, catedrático de Filosofia da Ciência, destaca que a sociedade atual é marcada pela produção de ignorância, uma estratégia que distorce a realidade e afeta a capacidade de julgamento da população. Essa manipulação é alimentada por desinformação em diversas áreas, incluindo saúde e política.

Dados alarmantes da Fundação Espanhola para a Ciência e a Tecnologia revelam que 50% dos espanhóis acreditam que as farmacêuticas ocultam os perigos das vacinas, um aumento significativo em relação a anos anteriores. Além disso, 41,6% da população acredita que vírus são criados em laboratórios para controlar a liberdade das pessoas. Essa desconfiança é alimentada por narrativas simplificadas e estereotipadas sobre questões complexas, como imigração e mudança climática.

A ciência, tradicionalmente na linha de frente contra a ignorância, enfrenta um crescente questionamento de fatos comprovados. Naomi Oreskes, historiadora da Ciência, aponta que a politização da ciência e o corte de financiamentos para pesquisas críticas estão em ascensão. Para combater essa onda de desinformação, especialistas sugerem a necessidade de alfabetização mediática desde a infância e maior transparência nas plataformas digitais.

A luta contra a ignorância exige um esforço coletivo entre cidadãos, universidades e meios de comunicação independentes. Agustí Nieto-Galán, catedrático de História da Ciência, enfatiza que o conhecimento deve circular de forma racional e acessível, adaptando-se às novas realidades digitais. A promoção de ações que visem a verificação de fatos e a diversidade de vozes na mídia é fundamental para enfrentar a desinformação e garantir o direito à informação.

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