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Verões britânicos ficam mais quentes; como o país está preparado?

Temperaturas recordes no Reino Unido elevam alerta para verões mais quentes; especialistas dizem que 40 °C pode tornar-se norma até 2050

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  • O Reino Unido enfrenta onda de calor recorde, com temperaturas que podem chegar a 37°C no sudeste, quebrando o recorde de junho.
  • Cientistas alertam que temperaturas ainda mais altas devem ocorrer nos próximos anos e que os records são extraordinários.
  • Entre 2015 e 2024, o número de dias acima de 30°C aumentou mais de três vezes em relação à média de 1961-1990, e o valor máximo anual também subiu.
  • Projeções do Met Office indicam que, se o aquecimento global continuar, verões de 40°C ou mais podem se tornar comuns até 2050.
  • O Climate Change Committee afirma que o país não está preparado para o calor extremo e recomenda medidas rápidas, como adoção de tecnologias de refrigeração em lares, escolas e hospitais, com custo inicial alto mas benefícios a longo prazo.

O Reino Unido enfrenta uma onda de calor recorde, com temperaturas que podem chegar a 37C no sudeste da Inglaterra. O calor vem logo após maio ter registrado marcas inéditas. Cientistas alertam que temperaturas ainda mais altas são prováveis nos próximos anos e que medidas de preparação precisam ganhar prioridade.

Os especialistas destacam que os dados estão alinhados com mudanças climáticas. A professora Lizzie Kendon, da Universidade de Bristol, aponta que o récord de temperatura tem aumentado e que a margem de elevação tem sido surpreendente. O Met Office confirmou tendência de aquecimento nas próximas décadas.

Entre 2015 e 2024, o número de dias acima de 30C quase triplicou em relação à média de 1961-1990, segundo o Met Office. Anualmente, o valor máximo também subiu, com várias ocasiões acima de 35C nos últimos dez anos, algo raro no século passado.

Temperaturas extremas e cenários futuros

A temperatura recorde no país é de 40,3C, registrada em julho de 2022. Projeções do Met Office apontam possibilidade de quedas nas próximas décadas com temperaturas na faixa dos 40s. Em alguns verões, o país pode enfrentar condições ainda mais intensas.

O aquecimento também reduz a umidade do solo, o que limita a evaporação e libera mais energia para aquecer o ar. Estudos indicam que sistemas de alta pressão podem ficar bloqueados, contribuindo para períodos prolongados de calor extremo, fenômeno descrito como “heat dome”.

Dr Akshay Deoras, da Universidade de Reading, explica que o aquecimento amplia o impacto de temperaturas extremas, mas ressalta que a redução de emissões globais ainda é a forma mais eficaz de limitar o avanço do calor. Medidas de mitigação são enfatizadas pela comunidade científica.

Preparação e políticas públicas

O UK’s Climate Change Committee (CCC) critica o desempenho governamental na preparação para o calor extremo, descrevendo-o como insuficiente. O CCC aponta que o país foi construído para um clima que não existe mais e que as futuras mudanças serão mais frequentes.

Em julho de 2022 houve aumento de mortes e internações, além de interrupções em estradas e ferrovias. A London Fire Brigade registrou o dia mais intenso desde a Segunda Guerra Mundial, com queimadas na capital. Afirmativas técnicas destacam impactos no aço de trilhos e no asfalto de estradas.

O CCC alerta que mais de 90% das casas podem superaquecer com ondas de calor mais fortes e que apenas parte das residências possui ar-condicionado. A organização recomenda ampliar tecnologias de resfriamento em residências, escolas e hospitais, além de estabelecer limites de temperatura no trabalho para proteção da saúde.

O governo tem sido orientado a priorizar a preparação para calor extremo, conforme reiterado pelo CCC. Estima-se que os custos iniciais sejam elevados, mas a longo prazo o investimento pode reduzir despesas públicas com saúde, transporte e infraestrutura.

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