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Índia proíbe exportação de açúcar por três safras e pressiona preço global

Índia suspende exportação de açúcar por três safras para garantir abastecimento interno e ampliar produção de etanol, sustentando preços globais

Os trabalhadores descarregam sacos de açúcar dos caminhões e os colocam em uma rede para serem embarcados em um navio de carga no Porto Deendayal, em Kandla 5 de abril de 2025
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  • A Índia suspendeu as exportações de açúcar até 30 de setembro e deve manter restrições por pelo menos três safras, conforme fontes do governo e do setor.
  • O El Niño deve reduzir as chuvas e a produção de cana, além de ampliar a demanda por etanol, mantendo grandes volumes fora do mercado mundial.
  • A Índia exportou em média 6,8 milhões de t/ano até 2022-23; neste ano, exportou cerca de 800 mil t antes da suspensão.
  • Os estoques das usinas devem cair para cerca de 3,5 milhões de t no início da safra, o nível mais baixo em mais de três décadas.
  • O governo está priorizando a produção de etanol e a difusão de veículos flex-fuel, com perspectiva de alta na demanda de etanol até 2039-40, o que pode reduzir ainda mais as exportações.

A Índia suspendeu as exportações de açúcar por pelo menos três safras, até setembro, para garantir abastecimento interno e apoiar a produção de etanol. A decisão, anunciada neste ano, fortalece o compromisso do governo com a oferta doméstica e a transição energética.

Especialistas apontam que o El Niño deve reduzir chuvas de monção e pressionar a cana, enquanto a demanda por etanol cresce. Com isso, a disponibilidade para exportação fica restrita, sustentando os preços internacionais.

A medida envolve autorização de exportação por usina, com suspensão prevista safradamente. O último dado aponta que o país exportou em média 6,8 milhões de t/ano até 2023; neste ano já houve suspensão até 30 de setembro.

A decisão é sensível politicamente, já que o açúcar é alimento básico para muitas famílias. Autoridades indicam que a prioridade é o mercado interno, sem confirmar prazos além de setembro.

El Niño pode reduzir as chuvas de monção ao nível mais baixo em 11 anos, elevando o risco de plantio de cana. Agricultores comunicam adiamento de plantio e migração para culturas que exigem menos água, como soja.

Estimativas apontam queda da produção de açúcar na safra atual, de 30,95 milhões para cerca de 27,9 milhões de toneladas, com estoques nas usinas estimados em 3,5 milhões de toneladas no início da safra, nível mais baixo desde há décadas.

A Índia busca ampliar o etanol na gasolina e ampliar veículos flex-fuel para diminuir a dependência de petróleo importado. A demanda de etanol pode chegar a 30 bilhões de litros até 2039-40, conforme projeções do setor.

A indústria espera que o foco governamental se mantenha na produção de etanol, o que tende a reduzir as exportações de açúcar. Mesmo com o apoio, analistas alertam que, se o El Niño se agravar, o país pode precisar importar açúcar na safra 2027-28.

Observadores destacam que, sem exportação, grandes mercados compradores da Índia devem buscar alternativas, e que a ausência indiana pode pressionar a oferta global, especialmente na Ásia, África e Oriente Médio.

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