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Estudo mapeia corredores de encosta resistentes ao clima na Amazônia

Primeira avaliação regional identifica corredores climáticos na Amazônia, destacando a espinha andina peruana como via mais viável para migração de espécies ante o aquecimento

A howler monkey in the Amazon. As the world warms, plants and animals must quickly migrate to cooler places to stay resilient and survive.
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  • Estudo regional inédito aponta as corredores de elevação mais promissores para a migração de espécies na Amazônia, com foco na própria espinha andina do Peru, no oeste amazônico.
  • A região Andina peruana tem maior concentração de componentes-chave para sobrevivência das espécies, como gradientes de elevação, grandes áreas protegidas e corredores florestais conectados.
  • Além do Peru, são apontados possíveis corredores no sudoeste da Colômbia, norte do Brasil, norte da Bolívia, norte-central de Guiana e oeste de Suriname, mas com menos proteção e fragmentation causada por desmatamento e extração de óleo e gás.
  • O estudo, publicado em maio na revista Global Ecology and Conservation, busca oferecer um mapa preliminar para orientar o planejamento de conservação na América do Sul tropical.
  • Pesquisadores destacam que corredores com grandes gradientes de elevação e redes de áreas protegidas são importantes para a resiliência da biodiversidade diante das mudanças climáticas, servindo como “barcos salva-vidas” para muitas espécies.

O que se sabe sobre a migração de espécies na Amazônia está se tornando claro: o aquecimento global pressiona animais e plantas a subir de altitude, buscando refúgio nas elevações. Um estudo recente mapeia as rotas de subida mais viáveis para a conservação da biodiversidade na região.

A pesquisa, publicada em Global Ecology and Conservation em maio, é considerada a primeira avaliação regional sobre conectividade climática na Amazônia. Cientistas destacam o oeste da Amazônia, com a cadeia de Andes no Peru, como o corredor mais promissor para upslope mobility. A região reúne gradientes de altitude, áreas protegidas e corredores florestais já conectados.

Estudos adicionais apontam caminhos potenciais na Colômbia sudoeste, norte do Brasil, norte da Bolívia, norte de Guyana e oeste de Suriname. Contudo, a menor cobertura de proteção, aliada à fragmentação por desmatamento e extração de petróleo e gás, reduz a conectividade em muitos pontos.

Manu: conectividade como referência

Um exemplo marcante fica no Parque Nacional Manu, no sul da Amazônia peruana. Com mais de 1,7 milhão de hectares, ele combina altas montanhas e planícies úmidas, favorecendo a migração de espécies para altitudes maiores. O parque tem sido monitorado por mais de duas décadas pela ABERG.

Pesquisas anteriores mostraram que a migração entre habitats não protegidos pode aumentar o risco de extinção para diversas espécies. O novo estudo reforça que a conectividade entre áreas protegidas com grandes gradientes de altitude é crucial para a resiliência climática.

Bases científicas e políticas

Os autores defendem que não há, hoje, prioridade explícita para proteger gradientes elevacionais na Amazônia. O mapa de corredores climáticos pode orientar políticas e planos de conservação entre países, estados e doadores internacionais, conforme destacado pela coautora Corine Vreisendorp.

A análise utilizou dados de 11 províncias ecológicas, sobrepondo gradientes de altitude, cobertura florestal e áreas protegidas. Fragmentação causada por estradas e atividades humanas emerge como principal obstáculo à conectividade.

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