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Estudo aponta microplásticos em mais de 75% da alimentação de pets

Estudo revela microplásticos em mais de 75% das rações para pets e pede novas regulamentações para testar contaminantes

Researchers have called on government to bring extra regulations on pet food
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  • Mais de três quartos dos alimentos para animais estudados continham microplásticos, segundo estudo realizado pelas universidades de Sussex e Exeter.
  • Foram encontrados microplásticos em dezesseis de dezenove marcas testadas, incluindo marcas muito conhecidas.
  • Produtos de faixa de preço mais baixo apresentaram maior contaminação do que os itens mais caros.
  • Embora a concentração seja maior na ração seca, a ração úmida resulta em maior ingestão diária de microplásticos, pois os pets precisam comer mais para atender às necessidades energéticas.
  • Pesquisadores pedem que o governo implemente novas regulações para que fabricantes testem a contaminação por microplásticos em alimentos processados; a Food Standards Agency foi procurada para comentar.

Microplásticos foram encontrados em mais de 75% das rações para pets avaliadas em um estudo conduzido pelas universidades de Sussex e Exeter. A pesquisa analisou 19 marcas de alimentos para animais de estimação e detectou microplásticos em 16 delas, incluindo especialmente marcas de grande reconhecimento.

Os pesquisadores destacam que produtos de faixas de preço mais baixo, voltados para cães, gatos e animais silvestres, apresentaram maior concentração de partículas plásticas em comparação aos itens premium. A presença de microplásticos foi observada tanto em rações secas quanto úmidas.

O estudo também aponta que, apesar das concentrações serem maiores em rações secas, a ingestão diária tende a ser maior com alimentos úmidos, pois os pets precisam consumir mais volume para atender às suas necessidades energéticas.

Pedido por regulamentação

Os autores afirmam que o alimento processado deve passar por testes de contaminação por microplásticos, semelhante à fiscalização já existente para contaminação química. Eles ressaltam que novas normas poderiam exigir avaliações mais rigorosas por parte dos fabricantes.

A Food Standards Agency (FSA) foi acionada para comentar o caso. A agência não comentou até o momento sobre o estudo específico.

Perspectivas dos especialistas

Segundo a professora Tamara Galloway, ecotoxicóloga da Exeter, os resultados lembram que os animais são expostos aos mesmos poluentes químicos que as pessoas. Ela aponta que pets poderiam disseminar poluição plástica por meio da alimentação e das fezes, afetando a fauna e o ambiente.

A professora Fiona Mathews, da Sussex, acrescenta que ainda não há clareza sobre as principais fontes de contaminação nem sobre os impactos à saúde ao longo da vida dos animais. Os autores defendem novos estudos para identificar fatores de contribuição, como qualidade dos ingredientes, tipo de embalagem e métodos de processamento.

Nota de posicionamento da indústria

Um porta-voz da UK Pet Food afirmou que os produtos atendem aos regulamentos vigentes e podem ser oferecidos com confiança. A entidade diz que o tema é parte de um problema ambiental mais amplo, presente também na água, no ar e em outros alimentos, e que continuará a colaborar com reguladores e cientistas durante a evolução do conhecimento.

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