- Taï National Park, na Costa do Marfim, abriga trilhas antigas que percorrem a floresta rumo a ninhos do picathartes de pescoço branco, usados há centenas de milhares de anos pela fauna local.
- A área possui solo relativamente livre de mato, por causa da copa fechada por árvores gigantes com raízes de contraforte, incluindo o kosipo (Entandrophragma candollei).
- O alvo da expedição é o paiívo-poderoso, o picathartes de pescoço branco (Picathartes gymnocephalus), que nidifica em cavernas e reentrâncias rochosas; foram encontrados três ninhos de barro em um paredão de rocha.
- Há sinais de atividade animal na região, como Jentink’s duiker (Cephalophus jentinki), porcos-espinhos-da-água, civetas e hornbills que ajudam na dispersão de sementes.
- O guia Gliman Hyacinthe destaca a importância do animal para Ivorians pela sua rareza e beleza, resumindo seu valor com: “É raro. É bonito.”
Taï National Park, na Costa do Ivory Coast, abriga um percurso de floresta que leva a uma colônia de picathartes, aves raras que nidificam em cavernas e falésias. A expedição acompanha o traçado antigo usado por animais, mantido por várias espécies ao longo de centenas de milhares de anos.
O grupo é chefiado pelo guarda Gliman Hyacinthe, da OIPR, com participação de Michele Menegon, herpetólogo, e Caterina Danielon, estudante da Universidade de Pavia. O objetivo era localizar ninhos da espécie Picathartes gymnocephalus, o guindaste roxo. O levantamento também aponta sinais de uso do ambiente por outras espécies.
O local fica numa região de rochas e pedras sob um domo granítico que perfura a copa das árvores. O chão é relativamente aberto, com raízes de baú e troncos caídos, facilitando a observação de trilhas de animais de Taï.
Observações sobre a fauna local
Entre os sinais, há indícios de Jentink’s duikers hospedando-se sob saliências, além de tocas de javalis-da-região e um civeta que deixou restos de comida de milípedes. A colônia de picathartes é uma das atrações do parque, que abriga ainda falcões, macacos e duíques.
A equipe identifica a presença de hornbeaks na copa, possivelmente espécies que atuam na dispersão de sementes. Estudos sobre dispersão de sementes em florestas da África Ocidental indicam distância considerável de transporte por espécies de hornbill, relevantes para Taï.
Após registrar trilhas e rochas, Hyacinthe guia o grupo até ninhos de pedra com cascas de barro recentes, sinalizando preparação para a temporada de reprodução. Os ninhos são visíveis, mas o pássaro permanece discreto durante a observação.
Ao fim de dois dias de monitoramento, o grupo retorna ao acampamento com registros fotográficos e de campo. Hyacinthe descreve o pássaro como raro e bonito, destacando sua importância para a fauna local.
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