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Curitiba ecológica: o mito e o urbanismo de fachada

Destruição de parques lineares em Curitiba revela falhas do Novo Inter 2, evidenciando impacto socioambiental, falta de planejamento e resistência social

Foto: Fernanda Kogin
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  • Em 16 e 17 de maio de 2026, 105 árvores foram derrubadas de um parque linear na Avenida Presidente Arthur Bernardes, em Curitiba, sem aviso às comunidades locais.
  • O Novo Inter 2, megaprojeto de mobilidade que percorre mais de trinta e oito quilômetros e custa mais de 863 milhões de reais, é visto como urbanismo de fachada e prática de greenwashing.
  • Em outras vias, como a Avenida Victor Ferreira do Amaral e a Rua Vital Brasil (Portão), foram derrubadas quase duzentas árvores e 34 árvores, respectivamente, levando embargo do Ibama por falta de licenciamento federal adequado.
  • Registros apontam falhas de planejamento e gestão: a Secretaria do Meio Ambiente transferiu a responsabilidade técnica ao IPPUC e admitiu que não houve estudos para alterações geométricas; o prefeito rompeu contrato com o consórcio do Lote 1 por atrasos e qualidade técnica.
  • A crise gerou resistência de 74 organizações civis; o STF determinou que apenas o Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais pode emitir autorizações de corte, e há cobrança por transparência e reparos aos impactos socioambientais.

No fim de semana de 16 e 17 de maio de 2026, motosserras romperam o silêncio na Avenida Presidente Arthur Bernardes, em Curitiba. Foram derrubadas 105 árvores de um parque linear histórico, sem aviso às comunidades locais, gerando comoção e mudanças de percepção sobre a cidade.

O episódio expõe a debateda do Novo Inter 2, megaprojeto que avança por mais de 38 quilômetros de intervenções, envolvendo dezenas de bairros e orçamento acima de 863 milhões de reais. Críticos allegam o projeto a práticas de urbanismo de fachada e greenwashing.

Na Avenida Victor Ferreira do Amaral, o corte atingiu quase 200 árvores. Na Rua Vital Brasil, 34 árvores foram derrubadas, 23 nativas, levando a um embargo do Ibama por falta de licenciamento federal adequado.

Contexto do projeto e conflitos técnicos

Documentos da Prefeitura revelam um embate entre órgãos sobre traçados que poupariam vegetação. A Secretaria do Meio Ambiente pediu a transferência de responsabilidades técnicas ao IPPUC, que admitiu não haver estudos para a nova geometria viária e que a derrubada ocorreu por decisão discricionária.

A condução do contrato com o consórcio responsável pelo Lote 1 também é alvo de críticas: 66 notificações por atrasos e baixa qualidade técnica; apenas 12,7% das obras, frente ao cronograma, foram concluídas. O prefeito rescindiu o contrato unilateralmente.

Falhas de gestão e impactos

Exames apontam divergências entre órgãos sobre segurança em obras. Relatórios da fiscalização indicam risco de acidentes em valas de drenagem sem escoramento, contrariando declarações oficiais de desconhecimento do problema. Fenômenos como inundações em bairros foram citados como consequência.

A comunicação com a população também é questionada. Mesmo que haja campanhas anunciadas, relatos da ouvidoria apontam bloqueios de vias sem aviso, prejudicando lojistas e moradores. O tempo da natureza parece ter ficado subordinado ao cronograma do projeto.

Repercussão política e jurídica

Ao menos 14 vereadores apresentaram requerimentos e propostas sobre o Novo Inter 2, buscando transparência sobre cronogramas, laudos e danos colaterais. A discussão inclui a supressão de vagas de estacionamento e danos ao sistema viário.

No âmbito jurídico, o STF determinou que autorizações de corte de vegetação nativa passem pelo Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais. Questionamentos sobre cadastros e rastreabilidade acompanharam as audiências públicas.

Resistência e presença civil

Organizações da sociedade civil, redes acadêmicas e movimentos sociais uniram 74 entidades em defesa de justiça socioambiental e direito à cidade. O grupo cobra balanço técnico de emissões e alinhamento com políticas nacionais de mitigação.

A crise revela a necessidade de expandir áreas verdes e permeáveis, além de acelerar a substituição de frotas a diesel por ônibus elétricos. O debate aponta para uma urbanidade que privilegia planejamento democrático e proteção ambiental.

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