- Entre 2015 e 2025, o DoD destinou cerca de US$ 621 milhões em subsídios para projetos de minerais críticos com uso militar, segundo levantamento da USAspending.
- Entre 2021 e 2025, foram firmados 24 acordos de subsídios totalizando quase US$ 550 milhões, frente a US$ 31,3 milhões em contratos nos cinco anos anteriores.
- Os minerais mais financiados foram: lítio (US$ 124,6 milhões), neodímio e boro (US$ 94 milhões), grafite (US$ 48,8 milhões) e alumínio (US$ 45,4 milhões).
- O estudo aponta preocupações de comunidades locais sobre acelerar licenças sem consulta adequada ou salvaguardas ambientais, citando casos como Graphite Creek, no Alasca.
- O governo tem adotado medidas como FAST-41 para tornar os processos de avaliação ambiental mais rápidos; o ISSO aponta que projetos com apoio militar podem impactar habitats, direitos indígenas e ecossistemas.
O Departamento de Defesa dos EUA (DoD) duplicou e ampliou seus gastos com minerais críticos ao longo da última década, transformando o que era mínimo em uma fonte de financiamento expressiva. Nos últimos cinco anos, houve crescimento significativo no volume de contratos e no valor investido.
Segundo levantamento a partir do banco de dados USAspending, o DoD destinou cerca de 621 milhões de dólares em subsídios para projetos de minerais críticos com finalidade militar entre 2015 e 2025. Entre 2021 e 2025, foram 24 acordos que somam quase 550 milhões de dólares, frente a 31,3 milhões em três contratos no período anterior.
A analise aponta que o maior montante foi para projetos de lítio, com 124,6 milhões de dólares, seguido por neodímio e boro, juntos, com 94 milhões, grafita com 48,8 milhões e alumínio com 45,4 milhões. Lítio é essencial para baterias de sistemas de weaponry portáteis usados pelo DoD.
Comunidades indígenas e moradores locais relatam que o governo acelerou autorizações com instrumentos como FAST-41, sem consultas amplas ou salvaguardas ambientais robustas. Em Graphite Creek, no Alasca, moradores dizem não ter sido informados nem consultados sobre o projeto de grafita, segundo relatos à Mongabay.
A Graphite One, proprietária da mina aberta de grafita, afirma ter realizado múltiplas reuniões com stakeholders locais para compartilhar informações. Já a comunidade Siqnasuagmuit, próximo a Kauwerak, acusa falta de consulta e teme impactos sobre caça, pesca, habitats críticos e locais sagrados.
Em Nevada, a mina de lítio Thacker Pass, de propriedade da Lithium Nevada LLC, recebeu aprovação regulatória de comunidades locais por meio de consultas, embora organizações indígenas e grupos de direitos humanos questionem o processo. Em 2024, o DoD destinou 11,8 milhões de dólares ao projeto.
O material extraído, como grafita, lítio e neodímio, é utilizado em aplicações de defesa, incluindo magnetos para mísseis, baterias, sistemas de energia e veículos. Especialistas destacam que a demanda militar pode deslocar cadeias de suprimento e até afetar a disponibilidade para a transição energética.
O governo também atua no exterior, com investimentos em projetos fora dos EUA, representando cerca de 26% dos subsídios identificados. Entre eles, La Loutre, em Quebec, Canadá, com apoio do DoD para ampliar suprimento de grafita, sob Title III da Defense Production Act.
Moradores da região de Quebec relatam consulta limitada e preocupações sobre impactos ambientais, como contaminação de corpos d’água, e sobre o respeito a territórios tradicionais. A comunidade local ressalta que a consulta pública precisa ocorrer de forma mais ampla.
O governo dos EUA tem sinalizado novas ações para acelerar projetos domésticos de minerais críticos, conectando-se a estratégias de segurança nacional. A FAST-41, criada para tornar mais transparente e rápido o processo de avaliação ambiental, pode abrigar mais projetos no portfólio atual.
Adoção de políticas para fortalecer a produção interna de minerais pode afetar cadeias globais, com impactos potenciais na disponibilidade de minerais para a transição energética. Observadores destacam que o aumento de gastos militares responde a pressões geopolíticas crescentes.
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