- Cientistas descrevem três novas espécies de mantis-dita (Kongobatha), duas na Austrália e uma na Papua-Nova Guiné, aumentando de duas para quatro as espécies na região australiana.
- As novas espécies são Kongobatha serpens, Kongobatha spinosistyla e Kongobatha rufilinea; os estudos combinaram espécimes de museus, coleções privadas e fotos de plataformas de ciência cidadã.
- Em Kongobatha spinosistyla, foram observadas até sessenta espinhas na estrutura estiliforme do abdômen, um padrão não registrado em outras mantis-das do mundo.
- Kongobatha serpens é atraída por luzes à noite e é comum em jardins suburbanos de Brisbane e Sydney, indicando boa adaptação às áreas urbanas. Kongobatha papua também ocorre na Austrália, além da Papua-Nova Guiné.
- Kongobatha rufilinea é conhecido a partir de apenas um espécime coletado na Papua-Nova Guiné há mais de cinqüenta anos; os pesquisadores ressaltam a importância da descrição formal para a conservação da espécie.
A pesquisa liderada por Matthew Connors, doutorando da James Cook University, identificou três novos species de mantídeos-serpentes, conhecidos como mantis-língua de cobra, dois deles na Austrália e um na Papua-Negua. O avanço foi possível com a participação de cientistas cidadãos, que forneceram dados de distribuição, habitat e comportamento por meio de plataformas de ciência cidadã.
Para a descrição, Connors reuniu exemplares novos e amostras de museus, além de imagens de bases públicas, e examinou estruturas anatômicas dos machos chamadas styli. Esses pequenos apêndices, com padrões de espinhos distintos, servem como chave para diferenciar as espécies, especialmente entre K. serpens, K. spinosistyla e K. rufilinea.
Novas espécies e distribuição
Entre as novidades estão K. serpens, K. spinosistyla e K. rufilinea. A espinhação dos styli de K. spinosistyla pode chegar a 60 espinhos, o que não é observado em outras mantis no mundo. Além disso, o estudo confirmou que K. papua, antes registrado apenas na Papua-Negra, também ocorre na Austrália. A identificação completa envolve espécimes de museus australianos e internacionais, além de dados de campo coletados por cidadãos.
K. serpens demonstrou atração por iluminação noturna e tornou-se residente comum em jardins suburbanos de Brisbane e Sydney, sugerindo boa adaptação ao ambiente humano. Em contraponto, K. rufilinea é conhecida a partir de um único exemplar coletado na Papua-Negra há mais de cinco décadas, o que aponta para lacunas na compreensão de sua distribuição.
Implicações
Segundo os pesquisadores, nomear e descrever formalmente as espécies é o primeiro passo para estratégias de conservação, especialmente para aquelas com ocorrências pouco conhecidas. Os resultados fortalecem o conhecimento sobre a diversidade de mantis cerânticas na região australiana-papua-nova-guineense e destacam o papel da ciência cidadã na compreensão de fauna.
Observação: a imagem de divulgação mostra o casal de Kongobatha spinosistyla em Queensland, capturada por Maurice Allan.
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