- Aproximadamente metade dos cursos d’água da Califórnia avaliados por reguladores está contaminada com pesticidas classificados como PFAS, conhecidos como “químicos eternos”.
- Mais de metade das amostras de sedimento também apresentaram níveis desses pesticidas, usados em culturas alimentares no estado.
- O estudo usa dados da Secretaria de Regulação de Pesticidas da Califórnia e do Serviço Geológico dos Estados Unidos, divulgado dias antes de uma proposta de banimento total de pesticidas PFAS não avançar na assembleia estadual.
- Em áreas agrícolas, foram encontrados os maiores níveis perto de Monterey e San Luis Obispo; ao menos dez PFAS foram identificados em pesticidas.
- A proposta de banimento completo falhou, mas foi aprovada uma moratória de novas substâncias; o projeto prevê alertas de risco nos rótulos aos agricultores e maior poder de órgãos locais para limitar o uso.
Oito de cada dez rios e córregos avaliados na Califórnia apresentaram detecção de pesticidas classificados como PFAS, segundo análise conjunta de órgãos estaduais e federais. A avaliação aponta que quase metade dos cursos d’água testados está contaminada com esses produtos.
O estudo, elaborado pela California Department of Pesticide Regulation e pelo United States Geological Survey, foi divulgado nesta semana. Observa ainda que mais da metade das amostras de sedimentos mostrou resíduos de PFAS.
A pesquisa ressalta que PFAS, considerados “químicos para sempre”, já aparecem em fontes de água potável em regiões agrícolas. As substâncias estão associadas a potenciais riscos à saúde, como câncer e problemas imunológicos, entre outros.
A análise envolve dados de registros estaduais e federais, incluindo informações sobre uso de pesticidas que contêm PFAS. O levantamento indica que os pesticidas estão amplamente disseminados na agricultura da Califórnia, com aplicação elevada em várias áreas.
Entre os locais com maior concentração de PFAS, destacam-se condados com intensa atividade agropecuária, como Monterey, San Luis Obispo, Fresno e Kern. A amostra abrange apenas parte do estado, mas pesquisadores consideram o resultado conservador.
Pesquisadores explicam que as informações limitadas podem subestimar a extensão real da contaminação. A coleta de dados ocorreu em 10 condados, sem cobertura completa de todo o estado.
Panorama e desdobramentos
A divulgação coincide com a tentativa de banir plenamente pesticidas com PFAS, que não obteve aprovação na Assembleia, mas avançou trechos regulatórios, como um moratório a novas substâncias. A indústria agropecuária argumenta que a regulamentação precisa ser baseada em ciência e evitar custos desproporcionais.
Especialistas ressaltam que a lei recente exige avisos aos agricultores sobre os riscos de PFAS e amplia poderes locais para limitar o uso. O foco é reduzir a presença dessas substâncias em alimentos e na água próxima a áreas de cultivo.
O estudo também aponta lacunas na avaliação de riscos, incluindo efeitos imunotóxicos, reprodutivos e hormonais. Reguladores defendem maior investimento em recursos para monitoramento e avaliação de impactos cumulativos na água potável.
Autoras/os da análise destacam que a presença de PFAS em alimentos é preocupante, já que resíduos de pesticidas podem chegar à água de consumo humano. As autoridades indicam que as descobertas reforçam a necessidade de regras mais rigorosas.
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