- Agricultores de Madhesh, no Nepal, enfrentam perdas crescentes de safras devido à atuação de animais silvestres como nilgai, javalis e elefantes, com fiscalização difícil e noites sem sono para proteger as lavouras.
- De julho de 2024 a julho de 2025, foram registrados 14.821 casos de conflito humano-animal na região, com 134 pessoas e 457 animais mortos.
- As ações de ajuda são dificultadas por procedimentos complexos e lacunas na política de relief, que ainda é limitada e pouco acessível aos produtores.
- As diretrizes atuais impõem exigências como 12 tipos de documentos e listam apenas 16 animais específicos para cobertura, o que restringe quem pode receber apoio.
- Autoridades e políticos prometem simplificar o processo e ampliar o auxílio, mas ainda não há medidas concretas aprovadas ou implementadas para reduzir as perdas.
Dhruba Prasai, morador de Sarlahi, diz estar exausto pela vigilância noturna que não cessará as perdas de safra. Nilgai, javalis, cervos e elefantes atacam áreas próximas a florestas desde sempre, comprometendo plantações e estoques.
Em Madhesh, considerado o celeiro agrícola do Nepal, agricultores relatam perdas crescentes por vida selvagem. Procedimentos complexos e lacunas políticas dificultam acesso a benefícios, já escassos, para danos causados.
Entre julho de 2024 e julho de 2025, foram reportados 14.821 casos de conflito humano-animal no distrito. Foram registradas 134 mortes humanas e 457 animais, segundo dados oficiais.
Ano passado, um javali consumiu três estantes de milho na casa de Prasai. Autoridades exigiram carta de recomendação da repartição municipal para solicitar o auxílio, o que não foi feito.
Mesmo quem preencheu formulários em momentos parecidos ainda não recebeu o recurso. A falta de tempo é citada pelo agricultor como entrave cotidiano.
O marco regulatório atual estabelece regras de benefício para danos por 16 animais e exige documentação extensa. Em muitos casos, a compensação é limitada a 10 mil rúpias por dano ou por safra, sujeita a revisão.
Parlamentares que visitaram Prasai em março prometeram simplificar o processo, mas o agricultor segue cético, destacando a importância de ouvir as necessidades diretamente no campo.
De forma similar, agricultores em Parsa relatam perdas com nilgai, javalis e elefantes. Lideranças locais dizem que promessas de governo em campanhas não se materializam.
Bechan Mahato, da Forest Directorate em Janakpurdham, afirma que o relief é concedido a quem solicita. Se o total não for suficiente, há pedidos de verba adicional ao Ministério florestal.
Sajan Chaudhary aponta que incêndios florestais na estação seca deslocam animais para áreas habitadas, aumentando incidentes. O órgão também investiga medidas de contenção e alívio aos produtores.
Desafios e diretrizes
As diretrizes de alívio, criadas há três anos, visam simplificar a distribuição de recursos. Contudo, não contemplam compensação integral e exigem documentação variada.
Segundo os documentos, o apoio depende de posse de terras com título oficial. Danos a mantimentos podem render até 10 mil rúpias, com exceção de danos a plantações de uma safra por temporada.
Oito requisitos para solicitar o benefício e apenas 16 espécies cobertas são pontos criticados por organizações civis e comissões de direitos humanos.
Relatórios indicam que as regras não favorecem vítimas, especialmente moradores de terras não registradas, o que envolve comunidades indígenas e agricultores informais.
Parlamento e comissões engajadas discutem ajustes para tornar o sistema mais ágil, incluindo ampliação de coberturas e facilitação de processos de verificação de danos.
Perspectivas e ações
O governo estadual de Madhesh afirma buscar instruções para simplificar o fluxo de recursos. Autoridades destacam a necessidade de orçamento adequado para ampliar o alivio aos produtores.
Defensores da proteção ambiental defendem que a verificação de prejuízos seja mais prática, com pagamento próximo ao local do dano, reduzindo deslocamentos.
O debate sobre gestão de fauna continua, com propostas para controle de populações de primatas, melhoria de cercas elétricas e apoio a culturas menos suscetíveis a ataques.
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