- A pesca de arrasto de fundo na Europa gera cerca de 180 milhões de euros em lucros por ano, mas os custos climáticos elevam o preço para a sociedade até 90 vezes esse valor.
- A liberação de carbono ao mexer no sedimento custa entre 43 euros e 161 euros por tonelada de CO₂ emitida.
- As emissões associadas ao distúrbio do sedimento somam entre 4,87 bilhões e 18 bilhões de euros por ano.
- Mesmo com benefícios econômicos, o custo líquido do arrasto de fundo para a Europa fica entre 2 bilhões e 16 bilhões de euros por ano.
- O estudo sugere que reduzir os esforços de arrasto em pelo menos metade aumentaria os benefícios líquidos à sociedade, que hoje recebe apoio de governos superiores a 1 bilhão de euros anual.
O custo climático da pesca de arrasto em fundos oceânicos supera em muito o lucro que a atividade gera na Europa. A pesca de fundo rende cerca de 180 milhões de euros por ano, embora a prática libere carbono ao perturbar sedimentos marinhos. Ao contabilizar esses custos ambientais, o estudo aponta um impacto social até 90 vezes maior que o lucro do setor.
O estudo avalia impactos associados ao aporte de carbono liberado a partir do fundo do mar, causado pelo arrasto. O carbono liberado contribui para efeitos climáticos como queda de produtividade agrícola e problemas de saúde pública, com custos estimados entre 43 euros e 161 euros por tonelada de CO2 emitida.
Impactos climáticos e custos sociais
Segundo os cálculos, as emissões de CO2 decorrentes da perturbação de sedimentos correspondem a entre 4,87 bilhões e 18 bilhões de euros por ano. Ainda assim, o arrasto e a dredging fornecem mais de um quarto da pesca selvagem global e geram empregos, entre outros benefícios indiretos. O resultado líquido para a Europa varia entre 2 bilhões e 16 bilhões de euros por ano.
Aprovação de benefício global e cenário nacional
Em escala mundial, o arrasto envolve cerca de 3 mil espécies marinhas pescadas, incluindo 237 espécies ameaçadas. Neu de décadas de arrasto na Europa provocou danos persistentes ao ecossistema do leito marinho, com nenhuma comunidade marinha antiga sobrevivente nas descrições históricas. Mais de uma dezena de países europeus mantêm o arrasto mesmo em áreas protegidas, e os modelos indicam que o benefício líquido seria maximizado com uma redução de pelo menos 50% nos esforços de arrasto.
Políticas públicas e respostas setoriais
Governos europeus já gastam mais de um bilhão de euros por ano para sustentar o arrasto, buscando assegurar alimento e empregos. Um estudo citado pelos pesquisadores defende que pescadores de pequena escala europeus provam ser capazes de abastecer comunidades de forma sustentável, sem perturbar áreas de reprodução nem aumentar as emissões de carbono.
Propostas e próximos passos
Os autores defendem reduzir significativamente as operações de arrasto para reduzir custos sociais e ambientais. A análise destaca a necessidade de políticas públicas que equilibrem a provisão de proteína e emprego com a preservação dos ecossistemas marinhos, buscando um modelo de pesca mais sustentável e menos impacto climático.
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