- Centenas de khulan retornaram ao leste da Mongólia após 65 anos de ausência, segundo estudo que aponta cruzamentos por uma brecha ao longo da Ferrovia Trans-Mongol.
- Projeto piloto em 2019-2020 removeu 1,5 quilômetros de cerca, com registro de travessia em março de 2020; as brechas foram cercadas novamente em 2021 por segurança de animais e de pessoas.
- O estudo une dados de GPS em 29 khulan, câmeras e levantamentos de campo para confirmar o retorno à região leste da ferrovia, incluindo travessias perto de Zamiin-Uud, na fronteira com a China.
- Em outubro de 2024, foram avistados 384 khulan em quatro grupos; em junho de 2024, 25 indivíduos foram observados e houve uma carcaça a cerca de 200 km a leste, indicando dispersão para além do eixo histórico.
- A área de uso histórico agora soma pelo menos 4.000 quilômetros quadrados a leste da ferrovia; em maio de 2025, foi assinado acordo para uma zona de passagem segura próxima à brecha de Zamiin-Uud, com monitoramento contínuo.
O khulan, o asno-asiático, está se recolonizando o leste da Mongólia pela primeira vez em mais de seis décadas. Um estudo recente mostra que centenas desses herbívoros migratórios cruzaram um trecho ao redor da ferrovia Trans-Mongoliana, até então uma barreira para a fauna.
A pesquisa junta dados de projetos pilotos, collars com 29 khulan e large-scale levantamentos de campo. A linha férrea, ao longo de quase todo o seu percurso, foi cercada para evitar que o gado saísse da pista, dificultando a movimentação de animais selvagens.
Pela primeira vez desde os anos 1950, a presença de khulan foi observada a leste da ferrovia, comprovando o retorno da espécie à região. O estudo observa que o deslocamento ocorre em áreas históricas, com a própria estrutura do transporte influenciando a distribuição.
Onde e como ocorreu
Em outubro de 2024, pesquisadores registraram 384 khulan distribuídos em quatro grandes grupos. Em junho do mesmo ano, houve registro de 25 indivíduos e de um carcaça a cerca de 200 km a leste dos trilhos, sinalizando dispersão para além do núcleo inicial. A estimativa é de que a espécie utilize ao menos 4.000 km² de seu histórico alcance a leste da ferrovia.
O retorno foi confirmado por dados de GPS de 29 animais e por armadilhas fotográficas. Registros indicam cruzamentos de trechos sem cerca junto à fronteira com a China, próximos à cidade de Zamiin-Uud.
Ações de conservação e próximos passos
Em maio de 2025, autoridades da Mongólia e organizações de conservação, incluindo a WCS Mongólia, firmaram um acordo para estabelecer uma zona de passagem segura próxima ao trecho sem cercas próximo a Zamiin-Uud. A iniciativa visa gerenciar de forma coordenada o movimento da fauna.
Desde a criação da zona de passagem segura, as ações de monitoramento incluem câmeras armadadas, observações de campo, patrulhas de guardas e revisão de dados de rastreamento via GPS. O objetivo é manter a conectividade entre as áreas oeste e leste, preservando o corredor ecológico dos khulan.
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