- A desflorestação na Indonésia subiu 66% em 2025, com 433.751 hectares de florestas perdidos, segundo a ONG Auriga Nusantara.
- O levantamento indica o maior nível em oito anos, revertendo anos de queda desde 2017.
- Os motores principais citados são decisões políticas do governo anterior e atual, expansão de projetos industriais em áreas de floresta e o programa de “food estate” em Papua.
- A perda de habitat afeta áreas críticas de biodiversidade e pode piorar as emissões do setor uso da terra, uso da floresta e land use (FOLU), dificultando metas climáticas.
- Autoridades e especialistas defendem regras mais firmes, planos de manejo e incentivos, como mecanismos de carbono, para proteger florestas naturais.
A deflorestação na Indonésia avançou 66% em 2025, segundo dados da organização não governamental Auriga Nusantara. O prejuízo estimado foi de 433,751 hectares, o maior em oito anos, revertendo anos de queda desde 2021.
Aanalyse por satélite aponta que a maior parte do desmatamento ocorreu em várias ilhas grandes, com impacto acelerado a partir de 2022. A série de políticas ambientais sob diferentes governos é apontada como parte do cenário de reversão.
Autoridades locais afirmam que os números oficiais ainda não foram fechados para 2025, mas indicam que as perdas no 9º mês do ano já superaram os totais anuais de muitos períodos anteriores. Auriga revisa dados com metodologia própria.
O relatório destaca que a Indonésia volta a figurar entre os maiores emissores globais de gases de efeito estufa, com o setor de uso da terra contribuindo significativamente. A tendência preocupa especialistas em clima que acompanham metas de descarbonização.
Fatores e mudanças de política
A organização aponta que decisões políticas, incluindo alterações regulatórias e projetos estratégicos nacionais, contribuíram para ampliar áreas desmatadas. Também houve continuidade de políticas de incentivo à expansão de plantios, especialmente óleo de palma.
A expansão de plantações de palma é citada como motor relevante de desmatamento, com ênfase em Papua, onde houve aumento expressivo em 2025. Especialistas destacam fragilidades na vinculação de licenças a áreas de origem de material.
Impactos sobre a biodiversidade e as comunidades
A perda de habitat atingiu áreas-chave para espécies ameaçadas, como tigres, elefantes e orangotangos, e também áreas de ecossistemas de alto valor. A atuação de áreas protegidas e de conservação é apontada como insuficiente para frear o avanço.
Organismos oficiais asseguram que medidas de proteção à biodiversidade são prioridade, incluindo gestão de áreas protegidas, patrulhas de habitat e cooperação com comunidades locais, acadêmicos e organizações internacionais.
Caminhos para o futuro e governança
Especialistas sugerem necessidade de regulações mais rígidas para impedir desmatamento em florestas naturais, independentemente da categoria de uso. Incentivos como comércio de carbono foram citados como possível apoio a proteção florestal.
O governo informa que continuará monitorando e aperfeiçoando controles, com revisões de planejamento espacial para evitar impactos em áreas de conservação e terras tradicionais.
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