- Kenya avalia a construção de uma usina nuclear de 1.000 MW, no valor de 3,8 bilhões de dólares, com meta de ligar ao grid nacional até 2034, em três locais possíveis: Uyombo (Kilifi), Luanda Kotieno (Siaya) e um ponto em Turkana.
- As consultas iniciais ocorreram em Uyombo, região de pesca na costa sudeste, enfrentando forte oposição local e de especialistas ambientais, com protestos e prisões ao longo dos anos.
- A Nuclear Power and Energy Agency (NuPEA) afirma que ainda não há decisão final sobre o local e que o projeto está em fases de estudo de viabilidade, com avaliações ambientais e sociais, participação pública e aprovações regulatórias ainda necessárias.
- Preocupações ambientais e sociais incluem a proximidade com o lago Vitória, biodiversidade crítica, manguezais e comunidades de pesca, além de questões sobre uso de água para resfriamento e gestão de resíduos nucleares; a avaliação ambiental (SESA) foi criticada por não atender padrões internacionais.
- Líderes locais, como o ex-primeiro-ministro Raila Odinga, mostraram apoio a Luanda Kotieno como candidata, enquanto moradores de Uyombo solicitam mais comunicação e participação, destacando insegurança e questionamentos sobre o andamento do processo.
O governo do Kenya avalia a construção de uma usina nuclear de 1000 MW como parte de um plano nacional para ampliar a matriz energética. O custo do projeto é estimado em 3,8 bilhões de dólares, ainda sem escolha final de local.
A Agência Nuclear de Energia do Kenia (NuPEA) informou que o país está na segunda fase do programa nuclear e pretende conectá-lo à rede nacional até 2034. O anúncio ocorreu durante conferência em JOOUST, no sul do país.
Inicialmente, as consultas foram feitas em Uyombo, vila pesqueira em Kilifi, na costa sudeste, gerando forte resistência local e entre especialistas ambientais. Protestos, repressão policial e prisões acompanharam o debate ao longo dos anos.
Possíveis locais
Em 27 de junho, o Ministério de Energia divulgou, sem alarido, que equaciona erguer a usina em Luanda Kotieno, no condado de Siaya, às margens do lago Victoria. A ideia foi apresentada durante a conferência de energia e inovação.
O deputado Paul Otiende Amollo, de Rarieda, afirmou que houve aceitação entre autoridades locais, desde que haja contínuo envolvimento da população. NuPEA afirmou que ainda não houve decisão final e que estudos de viabilidade e avaliações de impacto social e ambiental estão em andamento.
NuPEA também destacou que o país realiza estudos para identificar locais potenciais e que qualquer decisão dependerá de consultas públicas, aprovações regulatórias e avaliações de impacto. O órgão confirmou que houve uma série de ações de participação em Kilifi e Siaya.
Contra-argumentos e impactos
Cidades costeiras próximas a Uyombo ficam próximas de áreas protegidas e ecossistemas críticos, incluindo o manguezal de Mida Creek e a floresta de Arabuko Sokoke. Especialistas alertam para riscos de impactos ambientais e pesqueiros, assim como para a gestão de resíduos nucleares.
O documento preliminar de Avaliação Ambiental e Social Estratégica aponta três locais potenciais: Uyombo, Luanda Kotieno e uma zona ainda não definida no Turkana, onde fica o lago homônimo. Além disso, a água para resfriamento é mencionada como fator de consumo elevado.
Críticos destacam que a construção pode exigir água em volumes superiores aos de plantas a carvão, com efeitos potenciais para comunidades pesqueiras e para a biodiversidade da região do lago Victoria.
Visões diversas e próximos passos
Analistas consultados ressaltam o custo elevado e a possibilidade de atrasos típicos de grandes empreendimentos nucleares, além da gestão de resíduos. Ainda assim, alguns especialistas veem o uso de energia nuclear como uma opção para diversificar a matriz e reduzir emissões de carbono.
Líderes locais e apoiadores enfatizam a necessidade de cumprir padrões internacionais de segurança e conformidade com normas de gestão de resíduos, bem como manter a participação pública de forma contínua. Os próximos passos incluem finalizar estudos, realizar consultas amplas e obter aprovações regulatórias.
Entre na conversa da comunidade