- Isabel II queria que o duque de York substituísse o duque de Kent no cargo de Representante Especial para o Comércio Exterior do Reino Unido, ocupado entre 2001 e 2011.
- Documentos oficiais publicados mostram o interesse da monarca, com a explicação de que nenhum outro membro da família estava disponível para o lugar.
- O cargo permitia viagens internacionais e contatos com pessoas influentes, incluindo encontros que levaram a ligações com Jeffrey Epstein.
- O governo de Keir Starmer apoiou a divulgação dos memorandos, que passaram por edição para ocultar dados confidenciais.
- Andrew nega as acusações de vazamento de informações confidenciais e de envolvimento em tráfico sexual; Epstein morreu em prisão em 2019.
Isabel II teria pressionado para que o governo britânico nomeasse o ex-príncipe Andrew como Representante Especial de Comércio Exterior, cargo ocupado entre 2001 e 2011. A indicação ocorreu mesmo após a troca de conversas sobre quem deveria chefiar a função, segundo documentos oficiais divulgados recentemente no Reino Unido.
O irmão do atual monarca, então conhecido como duque de York, passou a compartilhar informações com o governo através de canais oficiais. A decisão de designação, conforme registros, contava com apoio da Rainha e buscava promover os interesses britânicos no comércio externo, em meio a uma época de transição na família real.
A divulgação de parte do material veio após uma moção de transparência apresentada pelo Liberal Democrata, que reivindicava a publicação de memorandos e registros entre 2000 e 2011. A nomeação ocorreu de 2001 a 2011, período em que Andrew não tinha função remunerada.
Documentos oficiais
Os documentos revelam que, no governo de Keir Starmer, houve uma defesa parlamentar para tornar públicos os intercâmbios. A gestão do cargo envolveu diálogos entre autoridades de Exteriores e Comércio, com a participação do secretário privado do príncipe. O conteúdo mostra a intenção da Rainha de manter o duque de York em posição de destaque na promoção de interesses nacionais.
Entre as notas citadas, consta que o duque de York mostrava preferência por tarefas ligadas a alta tecnologia, comércio, juventude e cultura, com inclinação por países tecnologicamente avançados. Também há orientação de que atividades esportivas privadas, como golfe, não fossem incluídas em compromissos públicos do cargo.
A comunicação interna indica que não houve uma investigação prévia sobre o passado do então príncipe antes da nomeação. Técnicos e autoridades de comércio justificaram que a participação da família real buscava facilitar a promoção do comércio exterior britânico, sem restringir a atuação institucional.
Um e-mail desvelado pelo Departamento de Justiça dos EUA aponta que Andrew poderia ter repassado informações confidenciais sobre relação econômica com Hong Kong e Singapura durante o período em que ocupou o cargo. Segundo a polícia britânica, a divulgação poderia configurar conduta inadequada em cargo público.
Andrés, hoje conhecido como cidadão Andrés Mountbatten-Windsor, nega as acusações ligadas às atividades de Jeffrey Epstein, amigo próximo. O ex-príncipe também contesta as alegações relacionadas ao suposto uso de informações para fins ilícitos. Epstein foi encontrado morto em 2019, em Nova York.
Entre na conversa da comunidade