- Em Penang, Malásia, moradores e conservacionistas trabalham para reduzir conflitos entre humanos e os dusky langurs, que foram deslocados pelo desenvolvimento urbano.
- A Langur Project Penang criou a ponte aérea Numi’s Crossing, feita com mangueiras reaproveitadas, para facilitar a travessia segura da gangue de oito mongos entre a área residencial e as áreas florestais.
- A ponte diminuiu as queixas na comunidade de Taman Concord, permitindo que os animais tenham mais acesso às matas e fiquem menos tempo na área habitada.
- A ideia surgiu após meses de monitoramento dos movimentos dos langurs e entrevistas com moradores, já que a translocação nem sempre é viável ou eficaz.
- O projeto envolve moradores, pesquisadores e autoridades locais, e busca promover a convivência segura entre pessoas e fauna, em um contexto de perda de floresta e fragmentação ambiental na península malaia.
Tanjung Bungah, Malaysia — Em Penang, autoridades e moradores trabalham para reduzir conflitos entre humanos e os dusky langurs, primatas endêmicos deslocados pela urbanização e pela perda de habitat. A iniciativa busca ampliar o convívio sem eliminar os animais.
A parceria envolve a Perhilitan, órgão de vida selvagem, e o Langur Project Penang (LPP), organização liderada pela primatóloga Yap Jo Leen. Após meses de diagnóstico, monitoramento e entrevistas com moradores, o grupo propôs uma ponte de dutos reaproveitados para atravessar a via arterial que corta a área, evitando atropelamentos.
O objetivo é expandir o alcance dos huit langurs da comunidade de Taman Concord, reduzindo tensões com os moradores. A ponte, chamada Numi’s Crossing, fica sobre Jalan Lembah Permai e permite que o grupo acesse áreas de mata mais distantes com menor risco de conflito.
Medidas de convivência
A intervenção começou com a observação de que os animais frequentemente tentavam cruzar a estrada, o que resultava em comportamentos de risco. A construção aproveita materiais reaproveitados para minimizar custos e impactos ambientais.
Segundo integrantes do LPP, a ponte ajudou as oito pessoas do grupo liderado por um macho com histórico de disputas com outros grupos, a ampliar território e reduzir visitas frequentes à região de habitação.
Moradores como Tan Soo Siah, que observa os animal pela janela, relatam mudança gradual na convivência. A implantação da ponte visa também reduzir queixas, ao facilitar deslocamentos naturais dos animais para áreas de floresta.
Especialistas indicam que o manejo de conflitos entre espécies urbanas e humanas depende de soluções que considerem comportamento animal, disponibilidade de alimento e opções de deslocamento seguro. A iniciativa de Penang é apresentada como modelo local de coexistência.
O projeto envolveu entrevista com cerca de 130 moradores de Taman Concord e bairros vizinhos, para mapear percepções e adaptar ações. A ideia é manter a ponte como recurso estável e com manutenção contínua.
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