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Ataque mortal de bandos na Nigéria expõe fragilidade dos esforços de paz locais

Em Katsina, acordo com gangues expõe fragilidade da paz local após ataque que deixou ao menos 21 mortos, ampliando temor entre comunidades e autoridades

Members of the local community gather outside the residence of the Emir of Tafoki to offer condolences following a deadly raid carried out by armed gunmen from a local gang, in Doma, Katsina State, Nigeria, February 4, 2026. Picture taken with a phone.
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  • Em Doma, cidade de Katsina, no norte da Nigéria, líderes fizeram acordo com pistoleros em setembro para terminar ataques e retornar à fazenda.
  • No dia 3 de fevereiro, o mesmo grupo atacou novamente, casa a casa, matando ao menos 21 pessoas e rompendo a trégua.
  • Autoridades de cerca de quinze distritos em Katsina e de estados vizinhos discutem fazer acordos semelhantes com milícias, frustradas com violência prolongada.
  • O acordo de Doma envolveu moradores, autoridades estaduais e do governo local, com promessa dos gunmen de cessar ataques, libertar 400 raptados e não portar armas durante o pastoreio, além de pagamento em dinheiro.
  • A persistência dos ataques envolve disputas por terra e água entre pastores Fulani e agricultores, agravadas por migração climática e crescimento populacional, e levanta receios de replicação de tais entendimentos locais sem apoio do governo.

Onda de ataques de bandos armados em Katsina expôs fragilidade da paz local. Em Doma, cidade do norte da Nigéria, lideranças locais firmaram acordo com um grupo armado no final de setembro, com a esperança de encerrar ataques e retomar a vida como antes.

Inicialmente, o armistício pareceu funcionar, permitindo que agricultores voltassem aos seus campos. No entanto, em 3 de fevereiro, homens armados da mesma facção invadiram novamente, percorrendo casas e executando pelo menos 21 pessoas, rompendo a trégua.

A violência reacende temores de que outras comunidades sigam o mesmo caminho de negociação direta com grupos criminosos, sem apoio claro do governo federal ou das forças de segurança. Informantes de Katsina citam negociações em cerca de 15 distritos, além de registros em três estados vizinhos.

A estratégia de “segurança por meio de acordo” tem ganhado adesão entre autoridades locais em Katsina, Kaduna, Sokoto e Zamfara, diante de anos de violência. A prática é criticada por autoridades militares e do governo central, que promovem não negociar com grupos armados.

Para entender o contexto, a trégua de Doma decorreu de encontros ocorridos em julho, com participação de lideranças locais, autoridades estaduais e representantes da área de Faskari. O acordo previa que os agricultores permitissem o pastoreio de gado, em troca de fim de ataques, liberação de 400 moradores sequestrados e normas sobre conduta dos bandidos.

Entre os detalhes do pacto, havia também o pagamento de uma quantia em dinheiro, conforme relatos de pessoas presentes. O diálogo foi gravado em vídeo e amplamente divulgado nas redes sociais, segundo moradores e fontes locais.

A reabertura do conflito em fevereiro deixou marcas duras na comunidade. Testemunhas relatam mortes e violência indiscriminada durante a nova investida, com relatos de execução de civis e destruição generalizada.

Especialistas ouvidos pela reportagem indicam que a confiança pública na capacidade do governo de proteger a população tem diminuído, levando comunidades a buscar soluções próprias para reduzir riscos. A situação amplia o debate sobre a eficácia de negociações com grupos armados.

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